Jorge Jesus revela: a CBF pediu pré-convocação antes de contratar Ancelotti
O hoje técnico de Portugal conta que recebeu "indicações" para montar lista da Seleção em março de 2025, após o 4 a 1 da Argentina — e ainda elege Pedro como o melhor camisa 9 do Brasil.
Você lembra de onde estava no 4 a 1 da Argentina, em março de 2025? A CBF lembra. E, pelo visto, reagiu ao vexame de Buenos Aires do jeito que cartola reage: procurando técnico novo antes de demitir o velho. Jorge Jesus, hoje comandando Portugal aos 71 anos, revelou em entrevista ao Canal 11 que recebeu sinalizações da CBF para montar uma pré-convocação da Seleção Brasileira já para o jogo seguinte à derrota nas Eliminatórias.
A revelação é o tipo de bastidor que muda a leitura de uma época. Enquanto o Brasil oficialmente "avaliava cenários", já havia lista sendo rascunhada por um treinador que nem contrato tinha. As tratativas não avançaram — e foi essa porta entreaberta que acabou levando a CBF até Carlo Ancelotti.
O que Jesus contou, com todas as letras
Jesus não usou meias palavras: negociava com a CBF naquela janela de março de 2025 e recebeu "indicações" para preparar uma pré-lista. O acerto morreu na praia, Ancelotti assumiu — e o resto você acompanhou até as oitavas de final desta Copa, quando a Noruega de Haaland mandou o Brasil para casa com um 2 a 1 que ainda dói.
O detalhe saboroso é que Jesus, perguntado sobre o que mudaria no grupo atual, foi na contramão do torcedor que quer rasgar tudo depois da eliminação: "O jogador brasileiro joga em todo mundo. Além disso, no Campeonato Brasileiro há muita qualidade", disse, garantindo que alteraria "um ou outro jogador. De um a três". Ou seja: para ele, o problema do Brasil não é matéria-prima.
Pedro, o eleito — com viés assumido
Sobre a posição mais debatida do futebol brasileiro desde a aposentadoria dos grandes camisas 9, Jesus foi direto: "Acho que neste momento o melhor ponta de lança é o Pedro". E teve a honestidade rara de admitir o viés — treinou o atacante no Flamengo e sabe o que ele entrega quando a bola cai na área.
- Março de 2025: após o 4 a 1 da Argentina nas Eliminatórias, a CBF sinaliza a Jorge Jesus que prepare uma pré-convocação.
- As tratativas não avançam — e a vaga acaba com Carlo Ancelotti, que comandou o Brasil até a queda nas oitavas da Copa de 2026.
- Jesus hoje: técnico de Portugal, contratado aos 71 anos para reconstruir a seleção na era pós-Cristiano Ronaldo.
- Mudanças que faria no Brasil: "de um a três" jogadores — e Pedro como titular no comando de ataque.
"Tu finish": o método Jesus em duas palavras
Na mesma entrevista, ao comentar como lida com estrelas em fim de ciclo — assunto inevitável para quem herda a seleção portuguesa depois de Cristiano Ronaldo —, Jesus relembrou um episódio do Al-Hilal que resume seu estilo de gestão: chegou para Neymar e disse, na cara, "Tu finish". Você acabou. Sem intermediário, sem nota oficial, sem vazamento seletivo.
Pode soar brutal — e é. Mas compare com o método tradicional do futebol brasileiro, em que o atleta descobre que saiu do plano pelo jornal, e diga com sinceridade qual dos dois é mais respeitoso. Técnico que fala olhando no olho marca menos manchete e perde menos vestiário.
Por que isso importa para a Seleção de agora
A revelação de Jesus chega em momento delicado: o Brasil saiu da Copa mais cedo do que qualquer projeção razoável e a pergunta sobre o comando técnico voltou ao cardápio do debate. Saber que a CBF já operou com dois nomes ao mesmo tempo em 2025 diz muito sobre como a entidade toma decisão — e explica por que todo ciclo da Seleção parece começar com um plano B vazando antes do plano A existir.
E fica a ironia fina da história: o técnico que o Brasil quase teve pegou a seleção de Portugal, enquanto o Brasil segue procurando identidade. Em 2030, com a Copa repatriada para o aniversário de 100 anos do torneio, os dois projetos vão poder ser comparados em campo — e aí não haverá bastidor que proteja ninguém.
No futebol, escalação vaza, negociação vaza, até pré-convocação secreta vira manchete um ano depois. O que não vaza é o tempo perdido — esse a gente só percebe quando o jogo acaba.
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