R$ 90 milhões depois, o templo do atletismo paulista reabre — e Fabiana Murer não segurou a emoção
Reformado com certificação Classe 1 da World Athletics e 12 mil assentos, o Ícaro de Castro Mello reabre nesta sexta-feira, e a ex-atleta que construiu a carreira ali visitou a pista antes da inauguração oficial
Você que corre em pista de atletismo sabe que existe uma diferença entre treinar num tartan qualquer e pisar num lugar que tem história entranhada no asfalto. Nesta sexta-feira, dia 3, São Paulo reabre um desses lugares: o estádio Ícaro de Castro Mello, considerado templo histórico do atletismo brasileiro, depois de uma reforma de R$ 90 milhões.
Na semana anterior à reinauguração oficial, uma visitante especial passou pela pista antes de todo mundo: Fabiana Murer, ex-atleta do salto que construiu ali boa parte da carreira — e que não escondeu a emoção ao caminhar de novo pela pista e pelo gramado central.
O que muda no Ícaro depois da reforma
A obra não foi cosmética. Entre as melhorias entregues estão pista modernizada, banheiros reformados, arquibancadas novas, plataforma de acessibilidade, telões e uma capacidade que chega a 12 mil assentos. Mais importante para quem entende de competição: o estádio passou a atender ao padrão Classe 1 da World Athletics, certificação que abre a porta para sediar provas internacionais de peso.
Isso não é detalhe burocrático. Estádio com certificação Classe 1 é o tipo de credencial que separa "lugar de treino" de "lugar que pode receber Mundial". Para o atletismo brasileiro, que historicamente disputa espaço e verba com o futebol, ganhar um palco desse calibre é reforço estrutural raro.
Fabiana Murer e a conexão que reforma nenhuma apaga
Fabiana Murer, nascida em Campinas e radicada em São Paulo ainda na adolescência em busca de melhor estrutura de treino, tem no currículo o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, e chegou perto do índice para sua primeira Olimpíada, em Atenas 2004, antes de encerrar a carreira em 2016. E foi justamente no Ícaro de Castro Mello que ela se formou como atleta.
"Construí minha carreira e me lapidei como atleta aqui. Tenho muitas saudades", disse Fabiana, ao rever o local. Não é discurso de compromisso — é o tipo de frase que só sai de quem realmente devolveu ao lugar tanto quanto o lugar deu para ela.
• Investimento: aproximadamente R$ 90 milhões
• Capacidade: 12 mil assentos
• Certificação: padrão Classe 1 da World Athletics
• Reinauguração oficial: sexta-feira, 3 de julho
• Melhorias: pista modernizada, banheiros, arquibancadas, acessibilidade, telões
• Presença confirmada: governador Tarcísio de Freitas e a secretária Claudia Carletto
O que fica para a nova geração do atletismo
Fabiana deixou o recado mais importante da visita antecipada: "Estarei no Ícaro torcendo, incentivando e apoiando a nova geração do atletismo brasileiro". É a passagem de bastão que todo esporte precisa — não só reforma física, mas continuidade simbólica entre quem já correu ali e quem ainda vai correr.
Para o atleta amador que treina em pista pública, um estádio Classe 1 reformado na capital paulista significa mais competição de nível chegando à cidade, mais visibilidade para o atletismo fora do ciclo olímpico, e um lugar de referência que volta a funcionar depois de anos de estrutura defasada.
O que isso significa para quem torce por atletismo
Enquanto o futebol segue absorvendo a atenção nacional com a Copa do Mundo rolando em paralelo, o atletismo brasileiro ganha, silenciosamente, um dos seus principais palcos de volta — reformado, certificado e pronto para reivindicar competições que antes iam parar em outros estados ou países.
Estádio não faz atleta sozinho. Mas sem estádio à altura, nem o talento tem onde se provar. O Ícaro reabre, e com ele reabre também a chance de treinar e competir num lugar que já formou campeão antes — e pretende formar de novo.
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