119 milésimos separaram Kácio Freitas do pentacampeonato de Chamorro na 9 de Julho

119 milésimos separaram Kácio Freitas do pentacampeonato de Chamorro na 9 de Julho

Na edição de 75 anos da clássica paulistana, cinco ciclistas cruzaram a linha em menos de meio segundo de diferença — e o tetracampeão argentino ficou a um triz de reescrever a história da prova

EsporteCidade ·

Se você já perdeu uma disputa de chegada na pelada por décimos e sabe o gosto disso, imagina perder uma clássica centenária por 119 milésimos de segundo. Foi o que aconteceu com Francisco Chamorro na 75ª Prova Ciclística Internacional 9 de Julho, disputada na Marginal Pinheiros, em São Paulo. O tetracampeão argentino buscava o pentacampeonato inédito da prova — e saiu batido no fio de chegada por Kácio Freitas, da Emthos Racing, numa das definições mais apertadas da história da competição.

O que aconteceu no circuito

Depois de 100 km disputados no plano da Marginal Pinheiros, os cinco primeiros colocados da Elite masculina cruzaram a linha de chegada com menos de meio segundo de diferença entre o primeiro e o quinto. Kácio Freitas fechou em 2h12min05s835, batendo Chamorro (2h12min05s954) por apenas 119 milésimos. João Gaspar completou o pódio em terceiro, a 236 milésimos do vencedor.

No feminino, o roteiro foi parecido — só que ainda mais apertado. Thayná Araujo de Lima, de 29 anos e natural de Santos, venceu com 2h23min39s246, superando a tetracampeã e maior vencedora da história da prova, Luciene Ferreira, por 76 milésimos de segundo. Foi o primeiro pódio de Thayná na temporada, depois de um primeiro semestre difícil.

75ª Prova 9 de Julho — resultado
  • Elite masculina: 1º Kácio Freitas 2h12min05s835 · 2º Francisco Chamorro (+119ms) · 3º João Gaspar (+236ms)
  • Elite feminina: 1ª Thayná Araujo de Lima 2h23min39s246 · 2ª Luciene Ferreira (+76ms) · 3ª Nicolle Borges (+144ms)
  • Percurso: 100 km (masculino) e 75 km (feminino) na Marginal Pinheiros
  • Amadores: 1.500 inscritos — retorno da categoria após anos de prova restrita a federados
  • Premiação: R$ 57 mil, com R$ 4 mil para cada campeão

O pentacampeonato que escapou por pouco

Chamorro chegava à edição comemorativa como o maior vencedor da história da prova no masculino, com quatro títulos, mirando um feito inédito. "É uma corrida muito tradicional e tive o privilégio de vencer quatro vezes... Ganhar ou perder faz parte do esporte. Entreguei tudo que tinha e desta vez foi um segundo lugar. Parabéns ao Kácio", disse o argentino depois da prova — reconhecendo o mérito do rival sem meias palavras.

Do outro lado da linha, Freitas comemorou a prova que escolheu como alvo da temporada: "Sabia que neste ano, com circuito plano, seria rápida e decidida na chegada. Acelerei e deu certo... Estou muito feliz com a conquista, pois significa escrever meu nome na história do ciclismo". Circuito plano, sprint técnico, decisão nos milésimos — exatamente o cenário que ele havia estudado.

O retorno dos amadores

Fora do pelotão de elite, a edição de 75 anos trouxe uma novidade que talvez pese mais no longo prazo: o retorno da categoria amadora, com 1.500 inscritos. "Reunimos um número expressivo de amadores... e já estamos pensando na prova de 2027. Vamos trabalhar para manter e solidificar esse formato, que valoriza tanto os ciclistas de elite quanto o caráter democrático da bicicleta", disse Erick Castelhero, diretor executivo da prova.

Para quem pedala fim de semana e nunca imaginou disputar uma clássica dessas, o recado é direto: a porta que fica fechada nas provas 100% federadas está se abrindo de novo. Não tem R$ 4 mil de premiação te esperando na linha de chegada — mas tem a chance real de correr no mesmo asfalto que decidiu um pentacampeonato por 119 milésimos.

No fim, a 9 de Julho de 2026 confirmou o que corrida de bicicleta plana sempre promete e raramente entrega com essa intensidade: decisão no fio, sem margem para erro — e sem espaço para nostalgia de quem já foi tetracampeão.

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