UFC Baku: o chute rodado de Fiziev e o brasileiro que nocauteou em 1 minuto

UFC Baku: o chute rodado de Fiziev e o brasileiro que nocauteou em 1 minuto

Rafael Fiziev encerrou a luta principal com um giro no rosto de Manuel Torres logo aos 15 segundos do segundo round; no card, Matheus Camilo despachou o dono da casa e Jean Matsumoto venceu de virada nos cartões

EsporteCidade ·

Você que dormiu achando que MMA de fim de semana é sempre luta arrastada de três rounds, perdeu uma noite de nocaute em Baku. O UFC desembarcou no Azerbaijão e entregou o que o octógono tem de melhor: golpe de efeito, brasileiro fazendo a festa e aquele final que resolve tudo em segundos — sem esperar cartão de juiz.

A luta principal durou o suficiente para virar replay eterno. E o card preliminar teve verde-amarelo mandando bem, com direito a nocaute em pouco mais de um minuto e um pônei da nova geração vencendo no muque dos três assaltos.

Fiziev fecha a conta com um chute rodado no rosto

Se você fosse escrever o final perfeito para uma luta principal, dificilmente chegaria a algo tão limpo. Rafael Fiziev encarou Manuel Torres e resolveu a parada logo aos 15 segundos do segundo round: um chute rodado no rosto — o famoso spinning kick, aquele golpe girando que 99% dos amadores só acertam no saco de pancada — seguido de golpes no chão para não deixar dúvida ao árbitro.

Não foi sorte de principiante. Fiziev, número 11 do ranking dos leves, chegou à sua oitava vitória em 13 lutas no UFC e segue firme no seleto Top 15 da divisão mais concorrida da empresa. Em um peso onde sobra gente boa e falta vaga na fila do cinturão, vencer assim é mais do que somar: é gritar que ainda está na conversa.

UFC Baku — os resultados que importam:
Luta principal: Rafael Fiziev nocauteou Manuel Torres aos 15s do 2º round (chute rodado + golpes no chão)
Matheus Camilo (BRA): nocaute técnico sobre Nazim Sadykhov a 1min31s do 1º round
Jean Matsumoto (BRA): venceu Bekzat Almakhan por decisão unânime (29–28 nos três cartões)
Jefferson Nascimento (BRA): derrotado por nocaute técnico a 4min28s do 3º round
Cartel de Fiziev no UFC: 8 vitórias em 13 lutas — nº 11 dos leves

Matheus Camilo: 1min31s e a casa em silêncio

Quem gosta de ver brasileiro estragando a festa do dono da casa teve o seu momento. Matheus Camilo encarou o azeri Nazim Sadykhov diante da torcida local e não deu chance ao roteiro: acertou um soco direto no rosto, levou a luta para o chão e finalizou a serviço aos 1 minuto e 31 segundos do primeiro round. Nocaute técnico, arena muda, missão cumprida.

Se você já entrou em quadra ou tatame para jogar contra a torcida adversária, sabe o tamanho do feito: calar mil vozes com um golpe só tem gosto diferente. Camilo fez parecer fácil o que quase nunca é.

Matsumoto no muque, e o revés que equilibra a noite

Nem tudo foi festa de nocaute rápido. Jean Matsumoto, uma das apostas da nova geração do peso-galo brasileiro, precisou suar os três rounds contra o cazaque Bekzat Almakhan — e levou a melhor por decisão unânime, 29–28 nos três cartões. Vitória de quem sabe que MMA também se ganha na paciência, controlando o adversário quando o nocaute não aparece.

Do outro lado da moeda, Jefferson Nascimento lembrou que o octógono não perdoa distração: caiu para Tahir Abdullayev por nocaute técnico já na reta final do combate, a 4min28s do terceiro round, tomando golpes no chão quando a luta ainda estava em aberto.

O que a noite de Baku ensina para quem treina

Além do espetáculo, fica a lição de sempre — a que vale para o profissional e para você que bate no saco na academia duas vezes por semana. Golpe bonito como o chute rodado de Fiziev não nasce de improviso: nasce de milhares de repetições até o movimento virar reflexo. E finalização rápida como a de Camilo não é só força — é ler o momento e não hesitar.

No MMA, como no treino, o detalhe decide. Baku entregou nocaute de sobra, mas o que fica é o recado antigo: quem repete o básico até virar automático é quem resolve a luta antes de o juiz precisar pensar.

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