A grama escolheu seus protagonistas: Tiafoe e Cerúndolo brilham, Alcaraz cai fora e Wimbledon começa em uma semana
A temporada na grama coroou dois campeões inéditos neste domingo, perdeu uma de suas maiores estrelas para uma lesão e deixou um brasileiro animado: Wimbledon arranca em 29 de junho com Sinner na defesa do título.
Se você só liga a TV quando Wimbledon começa, atenção: o aperitivo deste domingo valeu mais que muita partida do torneio principal. A semana decisiva da temporada na grama entregou dois campeões de primeira viagem, uma baixa de peso e o roteiro completo do que vem por aí. E vem rápido — o Grand Slam de Londres começa em 29 de junho.
A grama é a superfície mais curta e mais traiçoeira do calendário. Em poucas semanas ela define quem chega afiado a Wimbledon e quem chega torcendo para o saque funcionar. Neste domingo, ela já avisou quem está com a mão quente.
Tiafoe quebra um jejum em Halle
Em uma final 100% norte-americana, Frances Tiafoe venceu Taylor Fritz por 6/4 e 6/4 e levantou o troféu do ATP 500 de Halle, na Alemanha. Foi o quarto título da carreira do americano — e o primeiro na grama, justo a superfície em que ele sempre prometeu mais do que entregou.
O dado que explica a tarde: Tiafoe sacou oito aces e não enfrentou um único break point na final. Na grama, onde o saque é rei e um quebra de serviço costuma decidir o set inteiro, blindar o próprio jogo é meio caminho para o título. Tiafoe ainda virou o primeiro americano a vencer Halle — um detalhe histórico para fechar o fim de semana.
Cerúndolo faz história em Londres
Do outro lado do Canal da Mancha, no clássico Queen's Club, o argentino Francisco Cerúndolo bateu Tommy Paul e conquistou o primeiro ATP 500 da carreira. Mais do que isso: virou o primeiro argentino a vencer o Queen's, um torneio que existe há mais de um século e nunca tinha visto um campeão do país vizinho.
Pode parecer detalhe, mas não é. A Argentina é terra de mestres do saibro — de Guillermo Vilas a Diego Schwartzman — e a grama sempre foi o terreno mais hostil para os tenistas formados na lentidão da terra batida. Cerúndolo provou que dá para mudar o roteiro, e chega a Wimbledon como uma das surpresas mais quentes do circuito.
• ATP 500 Halle: Frances Tiafoe bate Taylor Fritz por 6/4 e 6/4
• Primeiro título de Tiafoe na grama (4º da carreira)
• 8 aces e zero break points cedidos na final
• ATP 500 Queen's: Francisco Cerúndolo vence Tommy Paul
• 1º ATP 500 do argentino e 1º argentino campeão do Queen's
A má notícia: Alcaraz fora de Wimbledon
Nem tudo foi festa. Carlos Alcaraz, um dos maiores nomes da nova geração e sempre candidato ao título em qualquer Grand Slam, está fora de Wimbledon 2026 por lesão. É uma baixa que reorganiza completamente a parte de baixo da chave e tira do torneio um de seus maiores chamarizes.
Com Alcaraz fora, a conta dos favoritos muda. Jannik Sinner entra como cabeça de chave número 1 e atual campeão, tentando confirmar o favoritismo. Alexander Zverev, campeão de Roland Garros 2026, vem como número 2. A grama, porém, tem dono diferente todo ano — e a ausência de Alcaraz só aumenta o número de candidatos com chance real.
E o Brasil? João Fonseca aposta na grama
O torcedor brasileiro tem motivo concreto para acompanhar. João Fonseca montou um calendário inteiro na grama — Halle, Eastbourne e Wimbledon — apostando que a superfície combina com seu tênis agressivo de fundo de quadra. Em Halle, ele e o alemão Daniel Altmaier chegaram à final de duplas, ficando com o vice diante de uma parceria francesa.
O nome de Fonseca pesa por um motivo recente: em Roland Garros 2026, o jovem brasileiro derrotou Novak Djokovic em quase cinco horas de jogo, depois de o sérvio abrir dois sets de vantagem. Quem vira um jogo desses contra um dos maiores da história não chega a Wimbledon como figurante. Chega como ameaça.
O que esperar do Grand Slam
O sorteio da chave acontece em 26 de junho, e o torneio vai de 29 de junho a 12 de julho. Sinner defende o título sob pressão, Zverev quer provar que seu tênis funciona fora do saibro, Cerúndolo e Tiafoe chegam embalados, e Fonseca carrega a esperança verde-amarela.
A grama é curta, rápida e implacável: ela não dá tempo para quem precisa se ajustar no meio do caminho. Quem chegou afiado neste domingo largou na frente. Em uma semana, a gente descobre se a forma de junho vira troféu em julho.