Sinner segura Zverev, é bicampeão de Wimbledon e chega ao 5º Grand Slam

Sinner segura Zverev, é bicampeão de Wimbledon e chega ao 5º Grand Slam

O italiano perdeu o primeiro set, mas virou e bateu Alexander Zverev por 6/7 (7-9), 7/6 (7-2), 6/3 e 6/4, em 3h46 na Quadra Central. É o segundo título seguido na grama — e o quinto major de uma carreira que virou padrão de regularidade.

EsporteCidade ·

Existe um tipo de campeão que não te encanta com um golpe de sorte — te vence pelo cansaço da própria consistência. Jannik Sinner é desse time. No domingo, na final de Wimbledon, o italiano até levou um susto no primeiro set, mas fez o que faz de melhor: ajustou, esperou o rival tropeçar e não devolveu o presente. Bateu o alemão Alexander Zverev por 6/7 (7-9), 7/6 (7-2), 6/3 e 6/4, em 3h46 de jogo, e ergueu pela segunda vez seguida o troféu na grama mais famosa do planeta.

É o quinto título de Grand Slam da carreira do número 1 do mundo. E, para Zverev, é mais uma final grande que escapou por entre os dedos — a primeira dele justamente em Wimbledon.

O susto do primeiro set e a virada silenciosa

O jogo começou no roteiro que Zverev sonhava: sacando como um canhão, o alemão levou o primeiro set no tie-break, 9 a 7 nos pontos. Foi o instante em que a torcida neutra acreditou numa zebra. Mas Sinner é daqueles que não entram em pânico — parecem entediados até nos momentos de crise. Ajustou o resto de saque, subiu a agressividade no forehand e levou o segundo tie-break com autoridade: 7 a 2.

Dali em diante, foi ladeira abaixo para Zverev. Sinner controlou o terceiro e o quarto sets com a frieza de quem está resolvendo uma planilha, não disputando uma final. O placar de 6/3 e 6/4 esconde o quanto o italiano apertou nos momentos certos.

Wimbledon 2026 — Final masculina
Jannik Sinner (ITA) venceu Alexander Zverev (ALE)
• Parciais: 6/7 (7-9), 7/6 (7-2), 6/3 e 6/4, em 3h46
• Winners: Sinner 57 x 44 Zverev (34 de forehand a 18)
• Aces: Zverev 17 x 15 Sinner
• Pontos com o 1º saque: Sinner 80% x 71% Zverev
• Break points convertidos: Sinner 2 x 0 Zverev
• É o 2º Wimbledon seguido e o 5º Grand Slam de Sinner

Os números que explicam a virada

Se você olhar só os aces, ficaria com a impressão de que Zverev mandou melhor: 17 a 15. Mas o tênis se ganha nos detalhes, e ali Sinner foi impiedoso. O italiano fez 57 winners contra 44 do alemão — sendo 34 de forehand, quase o dobro dos 18 de Zverev. Traduzindo o tecnês: o forehand é o golpe de ataque batido do lado dominante da mão. Foi com ele que Sinner desmontou o alemão.

E tem o dado que decide finais: aproveitamento com o primeiro saque. Sinner ganhou 80% dos pontos quando acertava o primeiro serviço, contra 71% de Zverev. Sinner converteu 2 break points; Zverev, nenhum. Em três horas e 46 minutos, foi essa margem — pequena no papel, gigante na prática — que separou o campeão do vice.

Zverev, o eterno finalista que ainda não fechou a conta

Vale um respeito ao alemão. Zverev se tornou o primeiro homem nascido nos anos 1990 a chegar a uma final dos quatro Grand Slams, e o primeiro alemão numa decisão de Wimbledon desde Boris Becker, em 1995. Currículo de gente grande. O problema é que a estante de troféus de major segue vazia — perder finais virou a cruz que ele carrega. Jogou bem, sacou melhor que o rival, e mesmo assim saiu de mãos abanando. Dói.

A era da regularidade

Com este título, Sinner soma 17 "Big Titles" — a conta que junta Grand Slams, ATP Finals, Masters 1000 e ouro olímpico. Aos poucos, o italiano constrói o tipo de currículo que, no passado, só um Djokovic ou um Federer acumulavam. Não pela genialidade explosiva de um Alcaraz, mas pela chatíssima e imbatível regularidade de quem quase nunca tem um dia ruim.

Para quem joga a quadra do clube no fim de semana, fica a lição mais útil do domingo: perder o primeiro set não é perder o jogo. Sinner levou uma paulada no início e não mudou o rosto. Consistência vence talento avulso quase sempre. No fim, ranking é fotografia. O que fica é quem transforma cada final numa formalidade.

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