38 winners, duas horas: Fonseca atropela De Jong e avança em Wimbledon
Cabeça de chave 24, o brasileiro bateu o holandês Jesper de Jong por 6/1, 7/5 e 6/4 na Quadra 3 e chega pela segunda vez seguida à terceira rodada — agora encara o russo Roman Safiullin, algoz de Rublev no torneio.
Você que vive escanteando o alarme achando que vai perder o jogo de Wimbledon de manhã cedo, dessa vez podia ter dormido tranquilo: João Fonseca resolveu rápido. Cabeça de chave 24, o brasileiro passou por cima do holandês Jesper de Jong por 6/1, 7/5 e 6/4, na Quadra 3 de Londres, e carimbou presença na terceira rodada pela segunda vez seguida no Grand Slam da grama.
Não foi um passeio raso disfarçado de resultado fácil. Foi domínio de verdade, do tipo que faz o adversário do outro lado da rede sentir que está jogando contra alguém em outro nível de bola naquele dia.
Os números que explicam o resultado
Em 2 horas e 21 minutos de jogo, Fonseca converteu 38 winners contra apenas 18 erros não forçados — uma proporção de quase dois pontos vencedores para cada erro cometido, número raro até entre os melhores do circuito. É o tipo de estatística que separa quem "jogou bem" de quem simplesmente atropelou o adversário com bola limpa.
• Placar: 6/1, 7/5, 6/4 — sets diretos
• Duração: 2h21min, na Quadra 3
• Estatística: 38 winners contra 18 erros não forçados
• Ranking em Wimbledon: 24º cabeça de chave, 2ª vez seguida na 3ª rodada
• Próximo desafio: Roman Safiullin (RUS), sexta-feira (3)
O primeiro set foi praticamente um recado: 6/1, sem espaço para o holandês respirar. O segundo já mostrou mais resistência do adversário, com Fonseca fechando em 7/5 depois de precisar segurar a pressão em alguns games mais equilibrados. No terceiro, o brasileiro voltou a impor ritmo e fechou em 6/4 sem sustos.
Por que repetir a terceira rodada importa
Chegar à terceira rodada em Wimbledon uma vez pode ser flash. Repetir no ano seguinte já é consistência — e consistência em grama, especialmente, é difícil de fingir. É a superfície mais técnica do circuito, onde o bote baixo, o saque preciso e a leitura de bola surpreendem até quem domina saibro e quadra dura.
Fonseca vinha de uma estreia mais dramática nesta edição — precisou de cinco sets para superar o primeiro adversário, um susto que fez muita gente torcer o nariz. A resposta contra De Jong foi exatamente o contrário: eficiência, sem deixar o jogo esfriar, sem dar chance para o adversário sonhar com virada.
Quem é Roman Safiullin, o próximo obstáculo
O russo Roman Safiullin, hoje na posição 132 do ranking da ATP, chega à terceira rodada com um currículo de matar leão a cada partida: veio do qualifying, eliminou o compatriota Andrey Rublev — então integrante do Top 15 do mundo — e depois superou o holandês Botic van de Zandschulp em cinco sets.
Não é adversário de currículo modesto, apesar do ranking baixo no papel: em 2023, Safiullin já havia chegado às quartas de final de Wimbledon, seu melhor resultado em Grand Slam. Os dois nunca se enfrentaram no circuito profissional, então sexta-feira (3) será o primeiro capítulo dessa rivalidade — sem histórico prévio para nenhum dos dois se apoiar.
O que essa campanha sinaliza para o tênis brasileiro
Se você acompanha o circuito de perto, sabe que grama nunca foi terreno natural para tenista brasileiro — a tradição do país sempre foi mais forte em saibro. Fonseca repetindo a terceira rodada em Wimbledon, ano após ano, é o tipo de sinal que começa a mudar essa reputação.
Cada vitória limpa como essa vale duplo: soma pontos no ranking e constrói o repertório de quem, mais cedo ou mais tarde, vai precisar sustentar pressão de Grand Slam por semanas seguidas. Por enquanto, o roteiro segue perfeito — resta saber se Safiullin, o algoz de gente grande, vai conseguir travar o que ninguém travou até aqui.
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