Fonseca vence no tie-break e avança; Djokovic passa mal e cai

Fonseca vence no tie-break e avança; Djokovic passa mal e cai

O carioca bateu Botic van de Zandschulp por 6/4 e 7/6 (2) sob 29 graus em Cincinnati e vai à terceira rodada. Um dia antes, na mesma quadra e no mesmo calor, Novak Djokovic pediu atendimento médico e foi eliminado pelo 50º do mundo.

EsporteCidade ·

Cincinnati em agosto é aquele treino que você marca para as duas da tarde e depois se arrepende. Neste domingo, 29 graus no termômetro e sensação de 32 na quadra. Em 24 horas, o torneio produziu dois roteiros opostos: um brasileiro de 20 anos que aprendeu a segurar a própria cabeça num tie-break, e o dono de 24 Grand Slams pedindo atendimento médico no meio do jogo.

João Fonseca derrotou o holandês Botic van de Zandschulp por 2 sets a 0 — 6/4 e 7/6 (2) — e está na terceira rodada do Masters 1000 de Cincinnati. Cabeça de chave 23, ele teve bye na primeira fase. O próximo adversário é o australiano Christopher O'Connell, na terça-feira.

O jogo que parecia fácil e não foi

O placar em dois sets esconde a briga. Van de Zandschulp, atual 59º do mundo, é jogador de fundo de quadra que devolve fundo e cria uma sensação específica no adversário: a de que toda bola volta um pouco mais rápido do que deveria.

Logo no primeiro game, João salvou um break point. No terceiro, não salvou: o holandês quebrou apostando em devoluções mais profundas e abriu 2/1. E aí veio o detalhe que decidiu o set — Van de Zandschulp, tão consistente devolvendo, cometeu duas duplas-faltas no game seguinte e devolveu a quebra de bandeja. Empate em 2/2, e o brasileiro nunca mais soltou a liderança. Com 5/4 e o holandês sacando, converteu o primeiro dos dois set points: bola na rede do adversário, 6/4.

O segundo set foi montanha-russa. João quebrou no quarto game (3/1), aguentou um 15/40 no seguinte, foi a 4/1 — e depois viu o jogo escorregar de volta até o tie-break. Nele, o carioca não deu chance: 7 a 2.

Cincinnati 2026 — o que aconteceu
  • João Fonseca 2 x 0 Botic van de Zandschulp — 6/4 e 7/6 (2)
  • Brasileiro é cabeça de chave 23 e teve bye na 1ª rodada
  • Próximo adversário: Christopher O'Connell (AUS), na terça-feira
  • O'Connell avançou após desistência de Casper Ruud, com dores nas costas
  • Djokovic 1 x 2 Thiago Tirante — 6/2, 4/6 e 4/6, com atendimento médico em quadra
  • Tirante, 50º do mundo, soma 3 vitórias sobre top 10 em 4 tentativas na carreira
  • Calor: 29ºC com sensação de 32ºC
  • US Open: de 30 de agosto a 13 de setembro

"Eu estava lutando contra mim mesmo"

A melhor frase do dia não foi sobre técnica. "Eu estava lutando contra mim mesmo quando sofri a quebra", contou João. "No tie-break, foi uma oportunidade para mim. Se eu jogasse os dois primeiros pontos com intensidade, daria certo."

Guarde essa receita, porque ela vale para o seu jogo de sábado também: num tie-break, os dois primeiros pontos valem emocionalmente o dobro. Quem abre 2/0 joga o resto com a cabeça leve; quem começa 0/2 passa a jogar apostando que o outro erra. João abriu, e o placar de 7 a 2 é consequência disso.

Ele também soube descrever o adversário com precisão de scout: "Ele põe muita pressão no adversário sacando, devolvendo, joga atrás da linha, mas toda bola é muito rápida, como se fosse uma armadilha, difícil de jogar."

O calor derrubou o maior de todos

No sábado, na mesma cidade e sob a mesma sensação de 32 graus, Novak Djokovic estreou contra o argentino Thiago Tirante, 50º do ranking. Ganhou o primeiro set por 6/2 com sobra. E aí o corpo falou: passou mal em quadra, pediu atendimento médico e perdeu os dois sets seguintes por 6/4 e 6/4.

Aos 39 anos, o sérvio estava sem jogar desde junho, quando caiu na semifinal de Wimbledon para Jannik Sinner. Voltou direto para o calor de Ohio, num torneio que já venceu três vezes, e que estava especialmente aberto — Carlos Alcaraz e Sinner desistiram, deixando o número 5 do mundo como grande favorito ao quarto título.

Para Tirante, é a terceira vitória sobre um top 10 em apenas quatro tentativas na carreira. Um número que ele vai contar para os netos.

Por que calor decide mais partida do que ranking

Quem corre ou joga bola em fim de tarde no Brasil já sabe: 32 graus de sensação térmica não é detalhe de boletim meteorológico, é variável tática. O corpo desvia sangue para a pele para dissipar calor, o volume que sobra para o músculo cai, e a percepção de esforço sobe para o mesmo trabalho — traduzindo: você se cansa mais rápido fazendo exatamente o que sempre fez.

Em partidas de três sets, isso muda o jogo de quem depende de rally longo. É por isso que, em torneios de agosto na América do Norte, veterano cai para número 50 e ninguém chama de zebra pura. O calor cobra juros de quem tem mais quilometragem nas pernas.

O que está em jogo daqui para a frente

O melhor resultado de João em Masters 1000 são as quartas de final de Montecarlo, neste ano, quando parou em Alexander Zverev. O'Connell, o próximo, é jogador consolidado no top 100 e chega embalado — venceu Casper Ruud, que abandonou por dores nas costas com o primeiro set já perdido por 7/5.

"Vamos com tudo para a próxima rodada, com um jogador que eu nunca joguei, um jogador que está consolidado no top 100, um jogador que pode ganhar de qualquer um", resumiu o brasileiro. "Partir com tudo, descansar amanhã e ir com tudo para a terceira rodada."

E há o pano de fundo maior: o US Open começa em 30 de agosto. Cincinnati é a mesma superfície, o mesmo calor, o mesmo quique de Nova York. Cada jogo aqui vale duas informações — uma sobre o adversário, outra sobre o próprio corpo.

Neste domingo, o corpo do brasileiro respondeu. O do maior campeão da história, não. Às vezes o placar é isso mesmo.

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