Wimbledon estreia com susto: Sinner sangra, escorrega e sobrevive em cinco sets

Wimbledon estreia com susto: Sinner sangra, escorrega e sobrevive em cinco sets

O atual campeão começou a defesa do título à beira do tropeço: dois sets atrás, uma queda feia, sangue no tênis e quase quatro horas de jogo contra Kecmanovic na quadra central. No fim, a grama escolheu poupar o número 1

EsporteCidade ·

Quem ligou a TV esperando ver o campeão passear na estreia de Wimbledon tomou um susto junto com ele. Jannik Sinner, atual campeão e número 1 do mundo, começou a defesa do título de 2026 do jeito mais difícil possível: dois sets a um atrás, escorregando na grama, com o pé sangrando dentro do tênis. Precisou de cinco sets e muito sangue-frio para não dar o vexame logo na primeira rodada — contra o sérvio Miomir Kecmanovic, na quadra central.

Placar final: 4-6, 6-3, 6-7 (6-8), 6-2, 6-3. Quase quatro horas. Para quem joga, fica a lição: na grama, ninguém está seguro — nem o melhor do mundo.

O susto: dois sets atrás e sangue no tênis

Kecmanovic entrou sem nada a perder e jogou como tal. Abriu vantagem, ganhou o primeiro set e o terceiro no tie-break, e por um bom tempo pareceu que Wimbledon teria sua primeira grande zebra logo no domingo de abertura. Sinner, por sua vez, deu dois tombos feios na grama — superfície tão linda quanto traiçoeira — e em determinado momento sangrou pelo pé, manchando o próprio tênis.

"A grama é assim", minimizou o italiano depois, tratando de espantar a preocupação sobre o escorregão. É a fala de quem conhece o piso: a grama é rápida, baixa e escorregadia, exige passos curtos e equilíbrio que nenhuma outra quadra cobra. Errar um apoio pode custar um set — ou um tornozelo.

A virada: experiência fala mais alto

Foi aí que entrou a diferença entre o número 1 e o resto. A partir do quarto set, Sinner ajustou o saque, parou de arriscar demais e deixou o adversário sentir o peso de tentar fechar o jogo contra o campeão. 6-2 no quarto, 6-3 no quinto: a maré virou de vez quando a experiência calou o ímpeto.

É o tipo de jogo que campeão precisa vencer para chegar longe. Avançar sofrendo na estreia, sem o melhor tênis, é quase um rito — e Sinner cumpriu, mesmo sangrando.

Wimbledon 2026 — 1ª rodada, quadra central (29 de junho):
Sinner 3 x 2 Kecmanovic: 4-6, 6-3, 6-7 (6-8), 6-2, 6-3
Drama: dois sets atrás, duas quedas e sangramento no pé
Naomi Osaka venceu Jacquemot por 6-1, 7-5
Aryna Sabalenka bateu Kostovic por 6-2, 6-3
Ausência: Carlos Alcaraz fora do torneio por lesão
No horizonte: possível duelo Djokovic x Fonseca nas oitavas

Alcaraz fora, e a chave fica mais aberta

A grande baixa do torneio atende pelo nome de Carlos Alcaraz, fora por lesão. O espanhol, um dos poucos capazes de bater Sinner numa final de Grand Slam, deixa um buraco enorme na parte de baixo da chave — e abre caminho para que nomes inesperados sonhem mais alto. Wimbledon sem Alcaraz é como Copa sem um dos favoritos: muda o cálculo de todo mundo.

No feminino, as cabeças de chave cumpriram o esperado: Naomi Osaka e Aryna Sabalenka estrearam com vitória, sem o sufoco que Sinner enfrentou.

O brasileiro que pode fazer barulho

E tem brasileiro na história. O caminho aponta para um possível Djokovic x Fonseca nas oitavas — reencontro com sabor de revanche, já que foi o jovem João Fonseca quem eliminou o sérvio em Roland Garros. Para quem acompanha o tênis nacional, ver um brasileiro citado entre os protagonistas de Wimbledon, e não como mera figuração, é sinal de que algo mudou de patamar.

A grama é democrática no susto e implacável no detalhe. Sinner sobreviveu ao primeiro teste — mas o recado da estreia foi claro: em quadra rápida, favoritismo se prova ponto a ponto. E ninguém, nem o número 1, está livre de sangrar pelo caminho.

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