Copa 2026: sobraram oito, e nenhum se chama Brasil, Alemanha ou Portugal
As quartas de final começam nesta quinta-feira com França de favorita, Argentina se arrastando de virada em virada e uma Noruega que nunca tinha passado das oitavas. O mapa do poder no futebol mudou — e a sua estante de troféus não garante mais nada.
Você que montou o bolão lá em junho com Brasil e Alemanha na final pode rasgar o papel. A Copa do Mundo de 2026 chega às quartas de final com oito seleções vivas, e a soma de títulos mundiais dos ausentes é de arrepiar: cinco do Brasil, quatro da Alemanha, mais Portugal e Holanda ficaram pelo caminho. Quem sobra? França, Argentina, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Marrocos, Suíça e Noruega.
Depois de um dia de pausa nesta quarta, a bola volta a rolar na quinta-feira. E o roteiro promete: gente que tinha a obrigação de estar aqui divide o mata-mata com gente que, há um mês, ninguém colocaria no chaveiro da geladeira.
Quem joga contra quem — e onde
A tabela das quartas espalha os jogos por quatro cidades dos Estados Unidos, num rodízio que atravessa três fusos e uns quantos milhares de quilômetros. Anota aí para não perder nenhum apito.
• França x Marrocos — quinta, 9/7, em Foxborough (Boston)
• Espanha x Bélgica — sexta, 10/7, no SoFi Stadium (Los Angeles)
• Noruega x Inglaterra — sábado, 11/7, em Miami
• Argentina x Suíça — sábado, 11/7, em Kansas City
• A final está marcada para 19 de julho, no MetLife Stadium, perto de Nova York
A França manda, mas o Marrocos quer troco
Se existe favorito, ele fala francês. A França chega às quartas como a seleção mais completa do torneio, mas encontra justamente o adversário com mais motivo para tirar o sono de qualquer um: o Marrocos, invicto na competição e ainda com a memória fresca da semifinal de 2022, quando os franceses barraram o sonho africano.
É o tipo de jogo em que a tradição pesa de um lado e a fome pesa do outro. E fome, em Copa do Mundo, costuma dar dois ou três passos a mais na hora do sufoco. O Marrocos não vem só para figurar — vem cobrar uma conta de quatro anos atrás.
A Espanha não toma gol — e isso é história
Tem um número na Espanha que parece erro de digitação: seis jogos, seis vezes a rede intacta. Nenhuma seleção na história das Copas tinha emendado seis partidas seguidas de Mundial sem sofrer gol. É muralha com posse de bola, o que torna o duelo com a Bélgica um teste de paciência.
Do outro lado, a "geração de ouro" belga — De Bruyne, Lukaku, Courtois — encara o que provavelmente é a última dança junta em Copa. Zaga espanhola que não vaza contra ataque belga que já ganhou tudo, menos o que importa. Se você gosta de xadrez com chuteira, é neste que você senta na frente da TV.
As zebras que já não são tão zebras assim
A grande sacada desta Copa é que "zebra" virou palavra em extinção. A Noruega, que nunca tinha passado das oitavas na vida, está nas quartas empurrada por um Erling Haaland em estado de graça: sete gols na artilharia e rede balançada em 14 jogos oficiais seguidos pela seleção. Do outro lado, a Inglaterra terá a missão de calar o maior centroavante do planeta.
A Suíça, discreta como sempre, se enfiou entre os oito melhores e agora encara a Argentina — que, convenhamos, não está jogando bonito. A campeã do mundo avançou no sufoco, com direito a gol nos acréscimos sobre o Egito nas oitavas. Messi e companhia passam de fase mais no peito e na história do que no futebol apresentado. Em mata-mata, às vezes é exatamente isso que basta.
O que a ausência do Brasil ensina para quem joga a pelada
Dói admitir, mas a lição serve tanto para a Seleção quanto para o seu time de domingo: escudo pesado não entra em campo. O futebol ficou mais horizontal — informação, preparo físico e organização tática chegaram a países que antes só apareciam para completar tabela. A Noruega nas quartas e o Marrocos invicto não são acidentes; são o novo normal.
No fim, a Copa de 2026 está provando o que todo jogador de várzea já desconfiava: currículo não marca gol. Quem corre mais, se organiza melhor e acredita até o apito final é quem segue jogando. O resto vai para casa rasgar o próprio bolão.
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