O Paraguai já fez o impossível uma vez — hoje tenta parar a França de Mbappé
Depois de eliminar a Alemanha nos pênaltis e derrubar Nagelsmann do cargo, a albirroja encara a favorita ao título nas oitavas da Copa, em Filadélfia — com 23% de posse de bola contra a Alemanha, o plano paraguaio não é jogar bonito, é sobreviver
Você que trocou o Paraguai por qualquer outra seleção no bolão da Copa não está sozinho — e já deve estar se sentindo um pouco bobo. Porque enquanto times badalados caíam pelo caminho, a albirroja fez o trabalho sujo, incomodou uma potência e agora chega às oitavas de final para encarar a seleção que mais assusta neste Mundial: a França de Kylian Mbappé.
Hoje, sábado, às 18h de Brasília, no Philadelphia Stadium, o Paraguai tenta repetir uma proeza que não acontece desde 2010 — quando parou nas quartas diante da Espanha. Só que dessa vez o adversário tem o melhor ataque do torneio e um camisa 10 fazendo gol como quem escova os dentes.
Como o Paraguai chegou até aqui sem precisar ser bonito
Contra a Alemanha, o Paraguai teve 23% de posse de bola — número que, em qualquer outro esporte, seria sinônimo de time dominado. Só que futebol não é sobre quem toca mais bola, é sobre quem faz o gol que importa e quem segura o resultado. A albirroja fez um, levou um, e resolveu nos pênaltis, com o goleiro Orlando Gill pegando duas cobranças alemãs.
A vitória custou o cargo de Julian Nagelsmann na Alemanha — o tipo de resultado que reorganiza continente inteiro enquanto o Paraguai simplesmente segue em frente, sem tempo para comemorar demais. Tem jogo de novo, e é contra o melhor ataque da Copa.
A força que a França carrega no ataque
Se você acompanha a Copa mesmo sem torcer para ninguém em especial, já reparou: a França está com o melhor ataque do torneio, com 13 gols, e uma das defesas mais sólidas, com apenas 2 sofridos. No meio disso tudo, Mbappé soma 6 gols — a média de artilheiro que decide Copa sozinho — e Olise lidera as assistências, com 5.
A formação francesa usa Mbappé centralizado, com Dembélé e Olise circulando livres pelos lados — um desenho pensado para que o camisa 10 nunca fique isolado. É o tipo de time que castiga qualquer brecha defensiva com a frieza de quem já ganhou taça antes.
• Data e horário: hoje, sábado (4), 18h (Brasília)
• Como o Paraguai chegou: eliminou a Alemanha nos pênaltis, com 23% de posse de bola
• Última Copa do Paraguai: 2010, eliminado nas quartas pela Espanha
• Melhor ataque do torneio: França, com 13 gols marcados
• Artilheiro: Mbappé, com 6 gols; Olise lidera assistências, com 5
• Nome paraguaio para ficar de olho: Julio Enciso — participou dos 3 gols paraguaios na Copa
Julio Enciso, o único a balançar as redes por três vezes
Faça as contas: o atacante do Strasbourg participou diretamente dos três gols paraguaios neste Mundial — um gol e duas assistências — e lidera o time em chances criadas e finalizações dentro da área adversária. Se o Paraguai vai ter alguma chance de sonhar, o caminho passa pelos pés dele.
Do outro lado, o zagueiro Gustavo Gómez segura a base defensiva, e Orlando Gill chega embalado depois da atuação heroica contra os alemães. A receita paraguaia é simples de descrever e brutal de executar: fechar os espaços, não tomar gol cedo, e torcer para que Enciso arrume um lampejo.
O que muda para quem só quer ver um jogo decidido no detalhe
Se você espera um Paraguai retranqueiro do início ao fim, prepare-se: contra a Alemanha funcionou porque o adversário se desesperou tentando furar o bloqueio. Contra a França, o risco é diferente — Mbappé não precisa de dez chances, precisa de uma. E ele costuma aproveitar.
Ainda assim, tem algo de bonito em ver uma seleção que não estava entre as favoritas de ninguém chegando tão longe na base da raça e da organização tática. É o tipo de história que faz qualquer neutro torcer um pouquinho — só para ver até onde vai.
No fim, Copa do Mundo é isso: os favoritos jogam com a taça na cabeça, os azarões jogam com nada a perder. E às vezes, quem não tem nada a perder é exatamente quem assusta mais.
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