Patati marca, AZ goleia o PSV por 4 a 0 e o Santos vê mais um craque da Vila brilhar longe de casa
Maranhense criado nas categorias de base do Peixe balançou a rede na goleada que deu ao AZ Alkmaar o segundo título da Supercopa da Holanda em sua passagem pelo clube
Você que torce pelo Santos e já perdeu a conta de quantos "próximos Neymar" viu embarcar pra Europa sem escrever a própria história sabe que esse roteiro raramente termina bem. Weslley Patati está escrevendo o contrário. No domingo (2), o meia-atacante balançou a rede na goleada de 4 a 0 sobre o PSV, no Philips Stadion, e ajudou o AZ Alkmaar a levantar a Supercopa da Holanda — o segundo troféu do maranhense com a camisa do clube.
O que aconteceu
O jogo começou a desandar para o PSV ainda aos 9 minutos, quando Joey Veerman viu o cartão vermelho direto e deixou o time com dez em campo por praticamente toda a partida. O AZ não perdoou: abriu o placar com Mexx Meerdink aos 25, ampliou com Patati aos 51 — ele recebeu de Koopmeiners e definiu com categoria —, viu Elijah Dijkstra fazer o terceiro aos 58 e fechou a conta com Ro-Zangelo Daal, de pênalti, aos 66.
Um 4 a 0 contra o atual campeão holandês, com um jogador a menos do lado derrotado desde o início do primeiro tempo — o tipo de resultado que não deixa margem para "jogo equilibrado que fugiu do controle". Foi atropelo do primeiro ao último minuto.
Por que o nome de Patati pesa nesse resultado
Não é qualquer gol em qualquer jogo. É gol em final, contra o rival mais forte do campeonato, numa fase da carreira em que o jogador já não precisa provar nada a ninguém — mas continua provando. Patati saiu da Vila Belmiro ainda garoto, como tantos outros nas categorias de base santista, e escolheu a rota europeia num momento em que o mercado brasileiro está cada vez mais disputado por clubes do continente.
O resultado deste domingo é o segundo título do atleta com a camisa do AZ — sinal de que não foi acaso nem sorte de uma temporada isolada. Time que confia em jogador de 20 e poucos anos pra decidir final contra o campeão nacional está dizendo, na prática, que aquele nome já é peça-chave do elenco, não aposta de formação.
- Placar final: PSV 0 x 4 AZ Alkmaar
- Expulsão: Joey Veerman (PSV), cartão vermelho direto aos 9'
- Gols do AZ: Meerdink (25'), Patati (51'), Dijkstra (58'), Daal — pênalti (66')
- Local: Philips Stadion, casa do PSV
- Títulos de Patati pelo AZ: 2
O que isso diz sobre a base do Santos
Se você acompanha o Peixe sabe que o clube vive um ciclo repetido: forma talento, vende cedo, torce à distância. É frustrante ver o resultado do trabalho de base brilhando em outro escudo — mas também é prova de que a fábrica de jogadores da Vila continua funcionando, mesmo quando o time principal patina no Brasileirão. Patati é hoje referência num campeonato europeu de nível alto, algo que reforça o valor comercial e simbólico de quem sai de lá.
Para o torcedor, fica o gostinho agridoce de sempre: orgulho de ver o conterrâneo brilhando, incômodo de saber que dificilmente ele volta a vestir a camisa alvinegra em campo. É o preço de formar jogador num mercado onde clube europeu paga o que o brasileiro não consegue.
O que muda daqui pra frente
Para o AZ Alkmaar, o título é confirmação de que o projeto que sustenta Patati como titular segue rendendo taça. Para o PSV, fica a temporada começando com uma derrota dura, de time reduzido, sem resposta em campo — o tipo de resultado que costuma acender alerta interno antes mesmo da liga começar valendo pontos.
Fica também o lembrete pro torcedor brasileiro que insiste em subestimar liga holandesa: Eredivisie forma e revela jogador de nível top europeu com regularidade, e um brasileiro decidindo final ali tem peso de verdade. Patati marcou o gol que valeu taça — e, de quebra, lembrou todo mundo de onde ele veio.
No fim, time bom não é só o que compra caro — é o que sabe reconhecer talento cedo e dar minutos de decisão pra ele. O AZ fez isso com um garoto da Vila Belmiro. E o resultado está lá, 4 a 0, escrito no placar do Philips Stadion.
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