Sete jogos sem vencer derrubam Zubeldía no Fluminense — e o 0 a 0 foi a gota

Sete jogos sem vencer derrubam Zubeldía no Fluminense — e o 0 a 0 foi a gota

O Tricolor anunciou a demissão do argentino na manhã desta quinta-feira, depois do empate sem gols com o Independiente Rivadavia na ida das oitavas da Libertadores. Marcão assume no sábado, contra o Palmeiras, no Maracanã.

EsporteCidade ·

Empate em casa não demite ninguém. Sete jogos sem vencer, sim. O Fluminense anunciou nesta quinta-feira de manhã que Luis Zubeldía não é mais o treinador do time, horas depois do 0 a 0 com o Independiente Rivadavia pela ida das oitavas de final da Libertadores. A nota oficial foi curta, do jeito que clube escreve quando a decisão já estava tomada antes do apito final.

Saíram com ele os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo e Alejandro Escobar, além do preparador físico Lucas Vivas. Comissão inteira. Quando o clube leva o preparador físico junto, o recado é sobre método, não sobre resultado isolado.

O que aconteceu

O gatilho foi o jogo de ida das oitavas da Libertadores, em casa, sem gols. Mas o pavio já estava queimando havia semanas. Desde a pausa para a Copa do Mundo, o Fluminense disputou sete partidas e não venceu nenhuma: seis empates e uma derrota. No meio disso, foi eliminado pelo Vasco nas oitavas da Copa do Brasil — a segunda vez que o rival tirou o Tricolor da competição sob o comando do argentino.

Marcão, auxiliar técnico permanente do clube, comanda a equipe no sábado (15/08) contra o Palmeiras, no Maracanã, pela 23ª rodada do Brasileirão. É a segunda vez que ele entra no papel de bombeiro. Na quinta-feira mesmo, o clube já colocava enquete no ar perguntando à torcida quem deveria ser o novo treinador — sinal de que a busca começou antes do anúncio.

Os números que sustentavam o cargo — e os que derrubaram

Zubeldía não foi demitido por ser ruim. Foi demitido por um recorte recente que anulou tudo que veio antes. Ele comandou o Fluminense em 61 partidas, com 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas. Faça a conta: 108 pontos de 183 possíveis, 59% de aproveitamento. É número de treinador que fica.

Agora pegue só as sete últimas: seis empates e uma derrota, 6 pontos de 21 disputados, 28,6% de aproveitamento. Nenhuma vitória. Em campanha de Brasileirão, esse é o ritmo de time que briga para não cair — e o Fluminense não é esse time.

A passagem de Zubeldía pelo Fluminense em números
  • 61 jogos no comando: 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas
  • 59% de aproveitamento geral (108 pontos de 183 disputados)
  • 7 jogos sem vencer após a pausa da Copa: 6 empates e 1 derrota
  • 28,6% de aproveitamento nesse recorte final (6 pontos de 21)
  • Melhor resultado: 4º lugar no Campeonato Brasileiro de 2025
  • Vice do Carioca, com derrota para o Flamengo na decisão
  • 2 eliminações para o Vasco na Copa do Brasil
  • Também deixam o clube: Cuberas, Gruezo, Escobar e o PF Lucas Vivas

Por que empatar seis vezes é pior que perder três

Existe um mito confortável de que empate é meio caminho. No calendário brasileiro, empate seguido é o pior dos mundos: você não some pontos suficientes para subir na tabela, não perde o bastante para acionar o alarme cedo, e queima quatro semanas descobrindo isso. É a versão futebolística de treinar sempre no mesmo ritmo — você sua, cansa, marca o quilômetro, e não evolui em nada.

A sequência do Fluminense tem ainda um agravante de contexto: veio depois de uma pausa longa. Parada de Copa do Mundo é justamente o momento em que treinador tem tempo de trabalho concentrado, sem jogo no meio da semana, para ajustar o que a temporada não deixou. Voltar de uma janela dessas e não vencer sete vezes seguidas é o tipo de dado que a diretoria lê como problema de ideia, não de sorte.

O cenário maior: a fila de argentinos e a paciência que encolheu

Zubeldía chegou com o crachá de treinador de ideias, do grupo de sul-americanos que o futebol brasileiro passou a importar como solução de método. Entregou uma quarta colocação no Brasileirão de 2025 — que, num campeonato de 38 rodadas, não é feito pequeno — e uma final de Carioca perdida para o Flamengo.

Mesmo assim, 61 jogos é pouco mais de uma temporada e meia. Esse virou o teto informal de sobrevivência de treinador em clube grande no Brasil: o tempo de dois ciclos ruins consecutivos. E a conta que a diretoria faz não é sobre o que já foi conquistado, e sim sobre quantos pontos ainda dá para salvar até dezembro, com uma Libertadores viva pela frente e a volta das oitavas ainda por jogar.

É aí que a demissão ganha lógica fria: com o 0 a 0 em casa, a vaga se decide fora, e o clube preferiu apostar num choque de comando a levar para o jogo decisivo um grupo que não vence há quase dois meses.

O que isso significa para quem torce (e para quem joga)

Se você acompanha o Fluminense, a pergunta prática é uma só: quem chega. Trocar de treinador em agosto, com Libertadores em andamento e Brasileirão na 23ª rodada, é cirurgia com o paciente correndo. O novo nome herda um elenco que sabe empatar, um jogo decisivo fora de casa e nenhuma pré-temporada para reconstruir nada.

E se você joga a pelada de domingo, tem uma lição escondida nesse 0 a 0. Time que não perde, mas também não vence, quase sempre tem o mesmo sintoma: chega na frente e não sabe o que fazer com a bola. Não é falta de raça, é falta de ideia no último terço. Trocar quem grita à beira do campo pode até mudar a temperatura — mas quem resolve o problema é quem decide o passe.

Zubeldía sai com 59% de aproveitamento e sete jogos sem vencer. No futebol, ganha o segundo número.

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