No Azteca, o México quebra 40 anos de jejum e vira o assombro da Copa

No Azteca, o México quebra 40 anos de jejum e vira o assombro da Copa

Com Quiñones marcando um golaço e servindo Raúl Jiménez, a seleção de Aguirre bateu o Equador por 2 a 0, fechou a fase de grupos sem tomar gol e virou o time que ninguém tinha no bolão

EsporteCidade ·

Você que preencheu o bolão da Copa lá em maio, seja honesto: colocou o México nas quartas? Provavelmente não. E é exatamente por isso que futebol continua sendo o melhor roteiro que ninguém escreveu. No Estádio Azteca lotado, o dono da casa bateu o Equador por 2 a 0 e avançou às oitavas de forma que há muito tempo não se via — nem chegando perto de tomar sufoco.

E não foi um Equador qualquer que caiu. Em teoria, os equatorianos vinham como a força sul-americana mais consistente do grupo, com defesa dura e transição rápida. Em campo, viraram figurantes de uma noite que o México esperava desde os anos 1980.

O golaço que abriu tudo aos 20 minutos

O jogo estava naquela dança de estudo, cada time medindo o outro, quando Julián Quiñones resolveu encurtar a novela. Aos 20 minutos, ele fez um golaço — daqueles que o estádio inteiro sente antes de a bola entrar — e o Azteca explodiu como só o Azteca sabe explodir.

Se um gol assim já matava a paciência do Equador, o segundo veio para enterrar a esperança. O mesmo Quiñones que abriu o placar virou garçom e serviu Raúl Jiménez, o veterano que carrega o ataque mexicano há uma década. Dois a zero, e ainda no primeiro tempo o roteiro estava resolvido.

Quatro jogos, oito gols, zero sofridos

Aqui é onde o número para de ser detalhe e vira retrato. O México encerrou a fase final de grupos com uma campanha que qualquer favorito assinaria embaixo: quatro jogos, oito gols marcados e nenhum sofrido. Não é sorte de calendário — é defesa fechada e ataque objetivo, jogo após jogo.

México na Copa 2026 — a campanha do anfitrião até as oitavas:
Placar diante do Equador: 2 a 0, no Azteca lotado
Gols: Julián Quiñones (20') e Raúl Jiménez (assistência de Quiñones)
Campanha: 4 jogos, 8 gols marcados e 0 sofridos
Vítimas na fase: África do Sul, Chéquia, Coreia do Sul e Equador
Azteca em Copas: 8 vitórias e 2 empates em 10 jogos — 18 gols a favor, 2 contra
Próximo jogo: domingo (5), às 17h (Brasília), contra Inglaterra ou RD Congo — de novo no Azteca

Faça a conta do saldo: +8 em quatro partidas de Copa do Mundo. Isso não é campanha de zebra que se classifica de raspão — é de time que chega para incomodar quem sonha com a taça.

Por que o Azteca vale meio gol de vantagem

Tem estádio que é campo neutro com torcida. E tem o Azteca, que é praticamente um 12º jogador escalado. Os números da casa em Copas do Mundo explicam o medo dos adversários: 8 vitórias e 2 empates em 10 jogos, com 18 gols marcados e apenas 2 sofridos. Em altitude, com 87 mil gargantas empurrando, jogar ali é como correr uma maratona no sufoco enquanto o outro corre no plano.

Javier Aguirre, o técnico que não prometeu nada antes da Copa — e talvez por isso esteja entregando tanto —, tem agora o cenário dos sonhos: mais uma decisão em casa. As oitavas serão de novo no Azteca, no domingo (5), às 17h de Brasília, contra quem passar de Inglaterra x RD Congo.

O que muda para quem torce (e para quem sonha com a taça)

Se você acompanha a Copa de longe, torcendo pelo Brasil e de olho nos possíveis cruzamentos, anote o nome: este México não é adversário de véspera de jogo tranquilo. Sem tomar gol em quatro partidas, com um artilheiro tarimbado e um camisa 10 improvável em Quiñones, o anfitrião construiu o tipo de confiança que só a Copa em casa dá.

Quarenta anos é muito tempo. Foi o intervalo que o México passou prometendo e decepcionando nos mata-matas, sempre travando na hora de dar o passo grande. Nesta noite no Azteca, o passo veio com autoridade — e sem susto, o que é ainda mais raro.

No fim, quem joga em casa e não toma gol não está passeando: está avisando. E o recado do Azteca ecoou alto — na Copa de 2026, o dono da festa quer ficar até o último dia.

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