Duas dobradinhas no salto triplo e ouro de Vitória Sena: o Brasil brilha no Pan de Medellín
Enquanto a Copa do Mundo rouba a cena, o atletismo brasileiro fez história silenciosa em Medellín: ouro e prata nos dois saltos triplos, ouro nos 100m com barreiras e o 2º lugar geral no quadro de medalhas
Enquanto o país inteiro tinha os olhos grudados na Copa do Mundo, um grupo de atletas brasileiros fazia história do outro lado, na Colômbia — e quase ninguém viu. No Campeonato Pan-Americano de Atletismo, em Medellín, o Brasil terminou em 2º lugar no quadro de medalhas, com direito a duas dobradinhas no salto triplo e um ouro que merece aplauso de pé. Se você acha que atletismo brasileiro é só corrida de rua de fim de semana, prepare-se para mudar de ideia.
O salto triplo virou território brasileiro
Pódio de dobradinha é coisa rara — fazer dois no mesmo dia, na mesma prova, é dominação. No salto triplo feminino, Gabriele Souza dos Santos (EC Pinheiros-SP) levou o ouro com 14,18 m, e Regiclécia Cândido da Silva (também do Pinheiros) ficou com a prata, saltando 13,79 m. Brasil em primeiro e segundo, com a bandeira subindo duas vezes.
No masculino, a história se repetiu: Almir Cunha dos Santos (Sogipa-RS) cravou 17,24 m para o ouro, e Elton Junio dos Santos Petronilho (EC Pinheiros-SP) garantiu a prata com 16,53 m. Duas provas, quatro medalhas — uma colheita que mostra profundidade, não sorte de um atleta isolado.
Vitória Sena voa nos 100m com barreiras
Correr 100 metros saltando dez barreiras no caminho e ainda chegar na frente exige técnica e coragem em doses iguais. Vitória Sena Batista Alves fez exatamente isso: ouro nos 100m com barreiras, com a marca de 12.59 (vento de 1.0 m/s). Para quem treina, fica o tamanho do feito — é uma prova que se decide em centésimos, onde uma passada errada na barreira custa o pódio inteiro.
• Brasil: 16 medalhas — 7 ouros, 5 pratas, 4 bronzes
• 2º lugar geral — atrás só da República Dominicana
• Salto triplo feminino: Gabriele Souza (14,18 m) e Regiclécia Cândido (13,79 m)
• Salto triplo masculino: Almir Cunha (17,24 m) e Elton Junio (16,53 m)
• 100m c/ barreiras: ouro de Vitória Sena (12.59)
• Próxima parada: Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 (23/jul a 8/ago)
O que esse 2º lugar realmente significa
Sete ouros e 16 medalhas no total, ficando atrás apenas da República Dominicana, não é resultado de uma geração de ouro pontual — é sinal de um sistema que está funcionando. Clubes como Pinheiros e Sogipa formando atletas, técnica sendo passada adiante, e jovens chegando ao pódio continental. O atletismo é a base de quase todo esporte: quem corre, salta e arremessa bem alimenta todo o resto.
E há um detalhe estratégico: Medellín é parada de aquecimento para os Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2027. Os nomes que brilharam agora são os que o Brasil vai querer no auge daqui a um ano — e, com sorte, na janela olímpica seguinte.
Para quem corre e treina em casa
Se você calça o tênis no fim de semana e acha que atletismo de elite está a anos-luz da sua realidade, lembre-se: todo recordista começou numa pista qualquer, com um cronômetro e teimosia. O que separa o amador do medalhista não é só talento — é constância, técnica e um sistema que dá oportunidade. O Brasil acaba de provar, em Medellín, que tem os três.
Recorde é número. O que fica é a corrida — e a certeza de que o atletismo brasileiro está bem mais vivo do que a falta de holofote faz parecer.
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