75 anos depois, a 9 de Julho ainda decide quem manda no pedal paulista

75 anos depois, a 9 de Julho ainda decide quem manda no pedal paulista

A clássica que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932 chega à 75ª edição na Marginal Pinheiros com João Pedro Rossi tentando confirmar o bom momento e Wellyda Rodrigues mirando o terceiro título

EsporteCidade ·

Você que pedala de fim de semana e acha que prova de ciclismo é coisa recente no Brasil precisa conhecer a 9 de Julho. Na próxima quinta-feira, dia 9, a Marginal Pinheiros, em São Paulo, recebe a 75ª edição da mais tradicional clássica do ciclismo nacional — uma prova que já existia antes de boa parte dos ciclistas de hoje nascer, e que segue definindo quem é rei do pedal paulista a cada julho.

A edição deste ano celebra a Revolução Constitucionalista de 1932, data que dá nome à prova, e chega recheada de nomes que vêm de temporada em alta. Na ponta masculina, João Pedro Rossi. Na feminina, Wellyda Rodrigues correndo atrás da história.

João Pedro Rossi chega embalado pelo título nacional

O ciclista de Ribeirão Preto, da equipe Localiza Meoo/Swift Pro Cycling, foi coroado recentemente campeão brasileiro de estrada em Brasília — e chega para a 9 de Julho no que classifica como o melhor momento da carreira. Ele também venceu a primeira edição da Copa das Federações e ficou com a prata no contrarrelógio individual.

"Estou treinando firme e me cuidando muito para chegar bem na 9 de Julho", disse Rossi. É a frase de quem sabe que campeonato nacional recente pesa, mas não garante nada numa prova de 100 km que tem lenda própria e um pelotão cheio de gente querendo furar o favoritismo.

Wellyda Rodrigues mira o tricampeonato

Do lado feminino, Wellyda Rodrigues — também recém-coroada campeã brasileira de estrada, vencendo em Brasília no sprint — persegue algo que só um punhado de atletas conquistou: o terceiro título da 9 de Julho, depois de vencer em 2017 e 2024. Ela corre pela ABEC Rio Claro e chega para os 75 km femininos como uma das principais favoritas.

Tem gente que constrói carreira inteira em busca de um título dessa prova. Wellyda já tem dois guardados e mira o terceiro — o tipo de marca que, se confirmada, a coloca ao lado das maiores nomes da história da clássica paulista.

75ª Prova Ciclística Internacional 9 de Julho — números da edição 2026:
Data e local: 9 de julho (quinta-feira), Marginal Pinheiros, São Paulo
Distâncias: 100 km (Elite masculina) e 75 km (Elite feminina)
Largadas: Elite masculina às 6h30, Elite feminina às 6h39, amadores às 9h30
Premiação total: R$ 57 mil distribuídos entre as categorias, com R$ 4 mil para cada vencedor Elite
Recorde masculino: Francisco Chamorro, tetracampeão, busca o 5º título
Recorde feminino: Luciene Ferreira tem 4 vitórias — Wellyda pode empatar a marca

Os fantasmas do recorde: Chamorro e Luciene Ferreira

Enquanto Rossi e Wellyda tentam escrever seu próprio capítulo, dois nomes pairam sobre a prova como referência do que significa dominar a 9 de Julho de verdade. Francisco Chamorro, tetracampeão, busca o quinto título — o que o isolaria como maior vencedor da história masculina da clássica. Luciene Ferreira já tem quatro conquistas, e é justamente essa marca que Wellyda tenta igualar neste ano.

É o tipo de disputa que dá camadas à corrida: não é só sobre quem cruza a linha primeiro em 2026, é sobre quem entra para a história de uma prova que atravessa décadas sem perder relevância.

O que fica para quem pedala fora do pelotão profissional

Se você é dos que encaram pedal de fim de semana e sonham em algum dia cruzar essa mesma Marginal Pinheiros num dia de prova oficial, a 9 de Julho também tem categoria amadora, largando às 9h30 — prova de que a clássica não é só vitrine de profissional, é patrimônio de quem pedala em São Paulo, ponto.

No fim, prova centenária não se mede só em quilômetros — se mede em quantas gerações de ciclista ela atravessa sem perder a força. E a 9 de Julho, aos 75 anos, segue firme no pedal.

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