Martinelli entra, decide no fim e o Brasil sua para vencer o Japão por 2 a 1
A seleção de Ancelotti tomou um susto, levou gol em falha de Danilo e precisou de um herói do banco para virar em Houston — Casemiro empatou, Martinelli decidiu nos acréscimos e o Brasil está nas oitavas
Você que ficou de unha roída até o último minuto não estava sozinho. O Brasil avançou na Copa do Mundo de 2026, sim, mas não foi o passeio que a fase de grupos prometia. Foi um 2 a 1 sofrido contra o Japão, em Houston, daqueles que se ganha no muque, no banco de reservas e na cabeça fria de quem entrou para resolver. Martinelli entrou. E resolveu.
Quem leu aqui na semana passada que Ancelotti tinha montado uma versão canarinho do Real Madrid, com Vini por dentro e losango no meio, viu o plano esbarrar num adversário que estudou o roteiro. O Japão não veio para se entregar — veio para incomodar. E incomodou.
O susto: a falha que abriu o jogo para o Japão
O primeiro tempo foi um banho de água fria. O Japão explorou uma falha de Danilo e abriu o placar com Kaishu Sano, calando o estádio brasileiro e ligando o sinal de alerta que ninguém queria ver numa eliminatória. Aquele Brasil verticalizado e eficiente da fase de grupos travou diante de um time organizado, compacto e sem medo da camisa amarela.
Era o tipo de cenário que separa seleção candidata de seleção que vai para casa: estar atrás no placar, contra um time que defende bem, com a pressão de um mata-mata pesando em cada passe. O Brasil precisou respirar fundo no intervalo.
A virada: volume no segundo tempo e a redenção de Casemiro
Na volta dos vestiários, o Brasil empurrou o Japão para o seu campo e transformou posse em perigo. O empate veio com Casemiro — o mesmo volante que costuma apagar incêndio na frente da zaga apareceu na área para devolver a tranquilidade ao time. De repente, o jogo virou o que deveria ter sido desde o apito inicial.
E aí entrou o detalhe que decide Copa: profundidade de elenco. Ancelotti tinha Gabriel Martinelli no banco, e o atacante do Arsenal entrou com a fome de quem queria provar serviço. Rayan roubou uma bola decisiva, a jogada chegou limpa, e Martinelli apareceu nos acréscimos para fazer o gol da classificação — com assistência de Bruno Guimarães.
• Gols do Brasil: Casemiro (empate) e Martinelli (virada, nos acréscimos)
• Gol do Japão: Kaishu Sano, após falha de Danilo
• Herói: Martinelli, que entrou do banco e decidiu
• Bruno Guimarães: 4ª assistência na Copa — o maestro do meio
• Próximo jogo: domingo (5), às 17h (Brasília), contra o vencedor de Noruega x Costa do Marfim
*confronto de mata-mata da fase final
Bruno Guimarães, o maestro silencioso
Faça as contas: quatro assistências em uma única Copa não é número de coadjuvante. Bruno Guimarães virou o cérebro desse Brasil, o cara que liga a defesa ao ataque e transforma transição em gol. Enquanto Vini Jr leva os holofotes e os números de artilheiro, é o volante quem costura o jogo nos momentos em que a seleção mais precisa de alguém pensando rápido.
Não à toa, foi o passe dele que encontrou Martinelli no fim. Em mata-mata, quem tem um jogador assim — capaz de achar o passe certo quando o relógio aperta — sai na frente.
O que muda para quem torce
Se você esperava ver o Brasil deslizar para as oitavas, ajuste a expectativa: o mata-mata é outro esporte. Aqui não tem adversário fácil, e o Japão provou que disciplina tática vale tanto quanto talento individual. O lado bom é que a seleção mostrou algo que faltava em Copas recentes — capacidade de virar jogo, com soluções vindo do banco.
Domingo, às 17h de Brasília, o Brasil encara quem sobreviver de Noruega x Costa do Marfim. Sem Erling Haaland em frente, talvez, ou diante de uma África que adora dar susto. Seja quem for, fica o aviso desta noite em Houston: este Brasil não joga bonito o tempo todo, mas sabe sofrer, segurar e decidir no detalhe.
No fim, classificação é classificação — e quem avança nos acréscimos aprende que ainda tem gás para a próxima.
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