O sinal amarelo virou verde: Brasil atropela o Haiti, assume a liderança e agora decide tudo com a Escócia

O sinal amarelo virou verde: Brasil atropela o Haiti, assume a liderança e agora decide tudo com a Escócia

Três gols no primeiro tempo, Vini Jr. de novo decisivo, Matheus Cunha em noite de artilheiro e Neymar enfim treinando com o grupo. A dois dias de Miami, o Brasil mudou de humor — mas perdeu Raphinha pelo caminho.

EsporteCidade ·

Você que assistiu ao empate morno com o Marrocos e foi dormir desconfiado já pode respirar. Na sexta-feira, em Filadélfia, o Brasil fez o que precisava fazer e fez do jeito que o torcedor pedia: 3 a 0 no Haiti, com tudo resolvido antes do intervalo. Foi a primeira vitória da seleção na Copa do Mundo de 2026 — e ela veio com a liderança do Grupo C de brinde.

Não foi um jogo perfeito. Mas foi o jogo que tirou o Brasil do buraco de um ponto em duas rodadas e o recolocou no controle do próprio destino. Agora a conta é simples: quarta-feira, em Miami, contra a Escócia, decide quem termina em primeiro.

O que aconteceu: um primeiro tempo que matou o jogo

O Brasil entrou em campo sabendo que não havia margem para outro tropeço — e jogou como quem entendeu o recado. Matheus Cunha marcou duas vezes e Vinicius Jr. fez o terceiro, todos ainda na etapa inicial. Quando o juiz mandou para o vestiário, o placar já dizia 3 a 0 e o resto da noite virou administração.

Vini Jr. voltou a ser o jogador que decide — aquele que faz a diferença quando aparece de verdade. Depois de uma estreia apagada contra o Marrocos, o camisa 7 deu a resposta que Ancelotti esperava. E Matheus Cunha, que vinha sendo cobrado por não transformar volume em gol, resolveu a questão da maneira mais direta possível: balançando a rede duas vezes.

Por que importa: do terceiro lugar à ponta do grupo

Antes da rodada, o Brasil era terceiro, com um ponto, segurando a respiração. Depois dela, é líder. A virada de cenário tem nome técnico — saldo de gols — mas significado emocional óbvio: a seleção saiu da zona de risco e voltou a depender só de si mesma.

O empate de 1 a 1 com o Marrocos na estreia tinha acendido todas as luzes de alerta. Marrocos, afinal, é o 8º do ranking FIFA, semifinalista no Catar em 2022, e não perdoou os erros brasileiros. O Haiti era a chance de reorganizar a casa — e o Brasil aproveitou cada metro dela.

Brasil 3 x 0 Haiti — Grupo C, 2ª rodada

• Local: Lincoln Financial Field, Filadélfia (EUA)
• Gols: Matheus Cunha (2) e Vinicius Jr.
• Todos os gols no 1º tempo
• Primeira vitória do Brasil na Copa 2026
• Brasil assume a liderança do Grupo C
• Histórico recente: Brasil 6x0 (2004) e 7x1 (2016) sobre o Haiti

A boa notícia que o torcedor esperava: Neymar treinou

Enquanto os titulares eram poupados no treino de domingo no Columbia Park, em Morristown, um nome roubou a cena: Neymar fez seu primeiro treino integral com o grupo. Recuperado de uma lesão de grau 2 na panturrilha — que o tirou de campo desde 17 de maio, ainda pelo Santos —, o camisa 10 está à disposição.

Ancelotti confirmou: Neymar deve ficar no banco para o jogo contra a Escócia, na quarta-feira, em Miami. Não é o retorno triunfal de quem entra jogando os 90 minutos, mas é o primeiro passo de uma volta que o Brasil vinha adiando há semanas. Em Copa, ter Neymar como carta na manga muda o tom de qualquer reta final.

O preço da vitória: Raphinha fora por tempo indeterminado

Toda noite boa cobra um pedágio. O do Brasil contra o Haiti foi caro: Raphinha sentiu a parte posterior da coxa direita e não participou das atividades de domingo. O atacante do Barcelona, um dos mais regulares da seleção, começou tratamento — e, no cenário mais otimista, só voltaria a ficar disponível por volta das oitavas de final.

É uma baixa pesada. Raphinha vinha sendo o jogador de maior entrega no setor ofensivo, daqueles que correm para trás, marcam e ainda aparecem na frente. Sua ausência abre uma vaga e um problema tático para Ancelotti resolver justo na hora em que o mata-mata se aproxima.

O que vem por aí: a final do grupo, em Miami

Quarta-feira, 24 de junho, no Hard Rock Stadium, o Brasil enfrenta a Escócia em um jogo que vale a liderança do grupo. Os escoceses voltaram à Copa depois de 28 anos de ausência e chegam organizados, fisicamente fortes, com Scott McTominay (Nápoles) puxando o meio-campo. Não é uma seleção de estrelas — é uma seleção chata de enfrentar, e isso às vezes incomoda mais.

O Brasil terminar em primeiro importa menos pelo troféu simbólico e mais pelo chaveamento: liderar o grupo costuma render adversários teoricamente mais acessíveis na sequência. E com a fase de mata-mata começando dia 29, cada detalhe de posicionamento na tabela pesa.

Se você cobrou o time depois do Marrocos, é justo reconhecer agora: o Brasil reagiu na hora certa. O sinal amarelo de Filadélfia, enfim, virou verde. Falta confirmar em Miami.

Compartilhar: