Vini faz dois, Neymar volta e o Brasil avança em primeiro — Copa tem novo capítulo
Com placar de 3 a 0 sobre a Escócia no Hard Rock Stadium, a seleção de Ancelotti confirmou liderança do Grupo C e ganhou uma última dança de Neymar como bônus
Você estava esperando uma noite difícil — afinal, eram quase mil dias de ausência, uma Copa já prometida como a última de Neymar e uma seleção que chegou ao decisivo com tropeços. O que o Hard Rock Stadium entregou foi outra coisa: Vinicius Júnior fez dois, a seleção atropelou a Escócia por 3 a 0, e o Brasil entrou nas oitavas como líder do Grupo C. Neymar ainda teve tempo de aparecer — e a torcida, de gritar o nome que nunca desistiu de gritar.
O que aconteceu no gramado de Miami
Carlo Ancelotti mudou o script. Em vez do 4-4-2 que balançou nas duas primeiras rodadas, o técnico escalou um 4-1-3-2 mais compacto, com Casemiro operando como líbero de meio-campo — bloqueando as linhas de passe escocesas pelo corredor central. A Escócia, que havia chegado ao decisivo em 4-2-3-1, tentou explorar as beiradas, mas a defesa brasileira estava organizada e agressiva.
Os gols saíram da pressão. Aos 6 minutos, Rayan pressionou o goleiro escocês, a bola sobrou para Vinicius Júnior, e estava feito: 1 a 0. O segundo veio ainda no primeiro tempo — o camisa 7 apareceu no espaço entre as linhas, recebeu pelo meio e finalizou no canto. No segundo tempo, Matheus Cunha completou o trabalho com um gol de construção posicional, mostrando que essa seleção não é só pressão alta.
Vini Jr. e o jogo dentro do jogo
Se você acompanha Vinicius há algum tempo, sabe que o desafio histórico com ele sempre foi a finalização. Velocidade — toda. Drible — muita. Eficiência no gol — irregular. Nessa Copa, o cenário mudou. Dois gols numa noite, em posições diferentes, com técnicas diferentes: o primeiro de carrinho rasgado, o segundo de cruzado no canto. Não é coincidência — é evolução com endereço.
Ancelotti optou por usá-lo mais centralizado nesse jogo, no espaço entre a linha de meio-campo e a defesa escocesa. Resultado: Vini apareceu mais em situações de finalização, menos em carreiras pela beirada. Para quem assiste à pelada de domingo, é o equivalente a tirar o jogador mais rápido do time da ponta e jogar pelo meia — e funcionar.
- Gols: Vinicius Júnior (2) e Matheus Cunha
- Minutos de Vini: 6º e 20º
- Alisson: 4 defesas importantes no segundo tempo
- Brasil: Líder do Grupo C — 7 pontos em 3 jogos
- Próximo jogo: Oitavas de final, 29 de junho, 14h (Brasília)
- Adversário: 2º colocado do Grupo F (Holanda, Japão ou Suécia)
Neymar: a última dança começou
Ele entrou aos 32 minutos do segundo tempo, com o placar já em 3 a 0. Ancelotti foi cauteloso — e entende-se. Neymar não atuava pela seleção desde outubro de 2023, quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo nas Eliminatórias contra o Uruguai. Quase três anos afastado. Depois de uma longa recuperação e uma lesão na panturrilha que o tirou do Santos em maio, ele voltou.
A atuação foi discreta. Um passe preciso para Vinicius, um escanteio bem cobrado — mas também erros de associação e dificuldade nos dribles. Não era pra ser uma estreia brilhante. Era pra ser uma declaração de presença. O estádio cantou. Neymar reconheceu. Você sabe como é: 34 anos, quarta Copa, e o único título que ainda não veio.
O que muda para o mata-mata
Terminar em primeiro no Grupo C tem peso tático real. O Brasil enfrenta o segundo colocado do Grupo F — que deve sair entre Holanda, Japão e Suécia — adversários diferentes da Argentina ou Espanha, que poderiam vir de um caminho mais duro. A escolha de Ancelotti de poupar jogadores nas rodadas anteriores começa a fazer sentido: chegam frescos para o mata-mata.
A dúvida é Neymar. O técnico deixou claro que o atacante está em ritmo de crescimento — e que pode ter papel maior nas oitavas. Se o joelho aguentar e o ritmo de jogo vier, o Brasil que entra em campo no dia 29 pode ser bem diferente do que jogou na fase de grupos.
No fim, é isso: Brasil nas oitavas, em primeiro, com Vini em forma e Neymar de volta. Pede mais?
Leia também
24/06/2026
18 anos, gol de longe e um recorde que era de Mbappé — a Copa encontrou sua joia
23/06/2026
Rosa ou amarelo? A verdade sobre a "regra" da cor da camisa do goleiro
22/06/2026
Messi faz 18 e reescreve a história — Copa do Mundo tem novo rei dos gols
22/06/2026