Brasil leva 3 a 0 da Eslovênia e engata a terceira derrota seguida na VNL
Em Ljubljana, a seleção masculina caiu por 27/25, 25/17 e 25/20, despencou para o 8º lugar e acendeu de vez o sinal amarelo na fase classificatória da Liga das Nações
Você que cresceu vendo o Brasil entrar em quadra como favorito — aquele time que perdia um set e você nem se mexia do sofá porque sabia que ia virar — talvez precise se acostumar com um roteiro diferente neste sábado. Em Ljubljana, a seleção masculina perdeu de 3 sets a 0 para a Eslovênia e amargou a terceira derrota consecutiva na Liga das Nações de Vôlei. Não foi um tropeço. Foi uma sequência.
O placar — 27/25, 25/17 e 25/20 — conta duas histórias. A do primeiro set, em que o Brasil brigou ponto a ponto e quase levou. E a dos dois seguintes, em que a equipe simplesmente desligou da tomada e viu o adversário cozinhar o jogo no ritmo dele.
O que aconteceu na Arena Stozice
O primeiro set foi o retrato do que esse Brasil ainda consegue ser nos melhores momentos: equilibrado, agressivo no saque, presente no bloqueio. A parcial só foi decidida no detalhe, em 27 a 25 para os donos da casa. Quem assistiu apostaria que daria jogo duro até o fim.
Não deu. No segundo set, o ataque brasileiro perdeu o compasso, errou onde não podia e foi atropelado por 25 a 17. No terceiro, ainda houve um lampejo de orgulho — o Brasil chegou a transformar uma desvantagem de nove pontos em apenas dois —, mas a reação morreu no 25 a 20 que fechou a noite eslovena.
Os números que explicam a queda
Vôlei é o esporte em que a estatística raramente mente, e aqui ela foi cruel. O oposto Darlan, principal pontuador do Brasil, fez apenas 10 pontos — número baixo para quem costuma carregar o ataque nas costas. Do outro lado, o ponteiro Toncek Stern sozinho anotou 19, quase o dobro do melhor brasileiro.
• Parciais: 27/25, 25/17 e 25/20 para a Eslovênia
• Local: Arena Stozice, Ljubljana (Eslovênia)
• Cestinha do Brasil: Darlan, com 10 pontos
• Cestinha da partida: Toncek Stern (Eslovênia), com 19 pontos
• Brasil na tabela: 8º lugar, 7 pontos — 3ª derrota seguida
• Eslovênia: 2º lugar, 14 pontos
• Próximo jogo: contra o Canadá, domingo (28), 11h30 de Brasília, também em Ljubljana
Quando uma seleção depende de um único homem para somar e esse homem é parado, o jogo acaba. Foi o que aconteceu. Stern com 19 e Darlan com 10 resumem o desequilíbrio melhor do que qualquer análise tática conseguiria.
Por que isso importa para a classificação
A Liga das Nações não é amistoso de fim de semana — ela vale ranking, vale vaga e vale confiança para o que vem depois. Com a derrota, o Brasil despencou para o 8º lugar, com 7 pontos, enquanto a Eslovênia subiu à vice-liderança, com 14. Em número de pontos, é o dobro. Em sensação, é mais ainda.
Três derrotas em sequência transformam uma má fase em diagnóstico. Não dá mais para falar em "dia ruim" ou "questão de detalhe". Há um problema de constância de ataque e de leitura de jogo que precisa ser resolvido antes que a tabela feche a porta.
O que muda para quem ama o vôlei brasileiro
Se você é da geração que viu o Brasil ganhar tudo — e somos muitos —, a tentação é cobrar como se ainda fosse aquele time. Mas vale lembrar: seleção em reconstrução perde assim mesmo, levando 3 a 0 de quem está mais entrosado. Faz parte do processo doloroso de montar um novo grupo competitivo.
A boa notícia é que a chance de resposta vem rápido. Já neste domingo, às 11h30 de Brasília, o Brasil encara o Canadá na mesma Ljubljana. É a oportunidade de quebrar a sequência antes que ela vire trauma. E, convenhamos, time grande se mede mais pela forma como reage do que pela forma como cai.
No vôlei, set perdido não volta — mas o próximo saque é sempre uma página em branco. O Brasil precisa lembrar disso já amanhã.
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