Brasil x Japão na quarta: o vôlei feminino começa a caçada ao título que sempre escapa
Seleção de Zé Roberto abre o mata-mata da VNL em Macau nesta quarta, às 8h30, contra um Japão que já bateu na fase de classificação — carregando uma coleção de vices que precisa acabar.
Se você acompanha a Seleção feminina de vôlei, conhece o enredo de cor: campanha sólida, semana decisiva, e aquele frio na barriga de quem já viu esse filme terminar com medalha de prata penduradas demais no armário. Nesta quarta-feira, às 8h30 de Brasília, o Brasil abre as quartas de final da Liga das Nações contra o Japão, em Macau — e recomeça a caçada ao título que vive escapando por um set.
O adversário não é estranho: o Brasil acabou de vencer o Japão por 3 a 1 na fase de classificação, no dia 8 de julho, quando engatou sua oitava vitória na competição. Mas quem já jogou qualquer mata-mata da vida sabe: vitória em fase de grupos vale tanto quanto amistoso de pré-temporada. O jogo que importa é o de quarta.
A campanha que colocou o Brasil entre os favoritos
A equipe de José Roberto Guimarães fechou a fase de classificação em terceiro lugar, com 9 vitórias em 12 jogos — atrás apenas de Estados Unidos e Itália, que terminaram com 10 vitórias e 2 derrotas cada. E fez essa campanha administrando desfalques importantes ao longo da temporada, com o elenco sendo testado em profundidade jogo após jogo.
Pelo chaveamento pré-definido da VNL, o terceiro colocado pega o sexto — daí o reencontro com as japonesas. O cruzamento também já mostra o tamanho da encrenca adiante: quem passar enfrenta na semifinal o vencedor de Itália x Holanda. A Itália, atual potência da modalidade, é exatamente o tipo de pedreira que costuma aparecer no caminho brasileiro nas horas decisivas.
Os números da fase final em Macau
- Brasil x Japão — quarta-feira, 22 de julho, às 8h30 (Brasília), em Macau, na China.
- Campanha do Brasil: 3º lugar na classificação, com 9 vitórias e 3 derrotas.
- Chaveamento: EUA (1º) x China (8ª, anfitriã), Itália (2º) x Holanda (7º), Brasil (3º) x Japão (6º), Turquia (4º) x Canadá (5º).
- Semifinais em 25 de julho; final e bronze em 26 de julho.
- Na fase de grupos: Brasil 3 x 1 Japão, em 8 de julho.
- Transmissão: SporTV, ge tv e VBTV.
Por que o Japão é mais perigoso do que a tabela sugere
Sexto lugar na classificação engana. O vôlei japonês é aquele adversário que transforma qualquer ataque seu em rally de trinta segundos: defesa que não deixa a bola cair, recepção estável, transição rápida. Contra times assim, o Brasil não pode se dar ao luxo de oscilar no saque — é ele que desorganiza a virada de bola japonesa e encurta os pontos.
Traduzindo o tecnês: quando o saque brasileiro entra pressionando, o levantamento japonês fica longe da rede e o bloqueio do Brasil arma com tempo. Quando o saque falha, vira jogo de paciência — e paciência é justamente o esporte favorito das japonesas.
A sombra dos vices — e por que este grupo pode ser diferente
Não dá para falar dessa geração sem falar da coleção de pratas: finais olímpicas, finais de VNL, finais de Mundial. O Brasil virou sinônimo de chegar perto. É estatística que pesa no salto de qualquer atleta — mas também é o tipo de cicatriz que forja time maduro. Zé Roberto, tricampeão olímpico como treinador, sabe melhor do que ninguém que essas contas o esporte cobra e paga sem aviso.
Para quem joga vôlei na quadra do condomínio, fica a lição que vale para qualquer nível: mata-mata não premia quem é melhor no papel, premia quem erra menos nos cinco pontos finais de cada set. O resto é aquecimento.
Quarta-feira, 8h30, café na mão. O título que sempre escapa está de novo a três vitórias de distância — e toda caçada começa com a primeira.
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