Marquinhos 108, Alisson no seleto clube — a espinha dorsal da Seleção escreve história

Marquinhos 108, Alisson no seleto clube — a espinha dorsal da Seleção escreve história

Zagueiro e goleiro do Brasil chegam a marcos raros na Copa 2026 enquanto a defesa canarinha ainda não sofreu gol na fase de grupos

EsporteCidade ·

Enquanto o Brasil discutia os gols de Vinícius Júnior e a lesão de Raphinha, dois homens foram construindo silenciosamente uma estatística que vai durar mais do que qualquer placar. Marquinhos chegou a 108 jogos pela Seleção Brasileira. Alisson acumulou 12 partidas em Copas do Mundo, igualando Júlio César e entrando no seleto grupo de goleiros com mais jogos na história do Mundial pela Amarelinha.

São números que dizem menos sobre o momento e mais sobre a consistência de duas carreiras — dois atletas que poderiam ter ficado pelo caminho em lesões, transições de técnico, ciclos diferentes, e escolheram simplesmente aparecer toda vez que a camisa amarela precisou deles.

Marquinhos: segundo zagueiro, primeiro em constância

Com 108 jogos, Marquinhos é o segundo zagueiro com mais partidas na história da Seleção Brasileira, atrás apenas de Thiago Silva, que encerrou a carreira internacional com 113. A comparação é inevitável — e justa, porque os dois dividiram a zaga por anos e foram o alicerce defensivo da geração que chegou a duas finais de Copa América e duas de Copa do Mundo.

O que distingue Marquinhos de outros zagueiros de elite é a capacidade de elevar o nível em função do adversário. Contra o Haiti, foi quase ornamental — Vini Jr resolveu tudo antes. Contra Marrocos, no jogo mais tenso da fase de grupos, foi ele que desmontou as jogadas de transição rápida do adversário, atividade que exige mais julgamento do que qualquer protocolo tático pode ensinar.

Marquinhos e Alisson — marcos na Copa 2026:
Marquinhos: 108 jogos pela Seleção — 2º zagueiro mais utilizado da história (Thiago Silva: 113)
Alisson: 12 jogos em Copas do Mundo — igualou Júlio César (3º goleiro com mais partidas mundialistas)
Alisson no torneio: 81 partidas totais pela Seleção, 7 jogos sem sofrer gols em Mundiais
Brasil na fase de grupos: 0 gols sofridos nos últimos dois jogos

Alisson: o número que poucos perceberam

Alisson entrou no torneio com 9 jogos de Copa do Mundo acumulados em 2018 e 2022. Com os três da fase de grupos, chegou a 12 — empatando com Júlio César na terceira posição entre goleiros brasileiros com mais jogos em Mundiais.

À sua frente, Gilmar e Emerson Leão com 14 partidas e Taffarel com 18. Se o Brasil avançar às quartas, Alisson ultrapassa Gilmar e Leão. Uma final o colocaria a dois jogos de Taffarel — o recordista absoluto. E ninguém que acompanha a Seleção acha esse cenário impossível.

Além dos números, tem o contexto qualitativo: 7 jogos sem sofrer gol em Copas do Mundo. Isso não é sorte de defesa bem-postada. É presença, decisão no momento certo e a capacidade de transformar bola que parecia cruzada em defesa ordinária.

A defesa que não está recebendo o crédito que merece

Todo mundo fala de Vinícius Júnior — e faz bem, porque são quatro gols em três jogos. Mas o Brasil também não sofreu nenhum gol nos dois últimos jogos da fase de grupos. Essa equação tem dois lados, e o lado defensivo está sendo subestimado na narrativa da Copa.

O sistema de Ancelotti pressiona alto, o que significa que a defesa raramente precisa fazer milagres. Mas quando precisa — como nas transições rápidas contra Marrocos — Marquinhos e Alisson estão lá, conversando, ajustando, corrigindo o que o sistema não consegue corrigir sozinho.

Longevidade como escolha

Marquinhos estreou pela Seleção em novembro de 2013. Alisson, em 2015. São mais de uma década de camisa amarela, com toda a instabilidade que o futebol brasileiro implica: trocas de técnico, projetos diferentes, ciclos que terminam antes de começar.

A longevidade de ambos não é acidente genético. É o produto de profissionalismo fora de campo, de recuperação levada a sério, de escolhas que às vezes contrariaram interesse comercial ou mídia. E agora, em Houston, nas oitavas da Copa de 2026, os dois vão aparecer de novo — como sempre aparecem.

Quem ganha quando a defesa não é notícia? Todos. Inclusive o torcedor que fica nervoso até nos gols que Alisson defende sem aparecer no noticiário.

Compartilhar: