26 nadadores, dois medalhistas de peso: o Brasil embarca para o pódio nos Jogos Parasul-Americanos

26 nadadores, dois medalhistas de peso: o Brasil embarca para o pódio nos Jogos Parasul-Americanos

Em Valledupar, na Colômbia, a natação brasileira estreia dia 11 de julho com Cecília Araújo e Wendell Belarmino na bagagem — ela, prata em Paris 2024; ele, ouro em Tóquio 2020

EsporteCidade ·

Você que só liga a TV para o esporte paralímpico durante a Paralimpíada está perdendo o que acontece nos anos intermediários — e é bastante coisa. Entre 5 e 15 de julho, a Colômbia recebe os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, e a natação brasileira embarca com uma das maiores delegações da história: 26 atletas de olho no pódio.

A competição de natação especificamente começa no dia 11, junto com badminton e bocha. Mas a expectativa já começou antes do avião decolar, puxada por dois nomes que carregam medalha de peso na bagagem.

Cecília Araújo, a prata olímpica que vem desde a primeira edição

Cecília Araújo é medalhista de prata nos 50m livre da classe S8 nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 — resultado que a coloca entre a elite mundial da categoria. Mas o que chama atenção é a longevidade: ela é uma das cinco veteranas da natação brasileira que disputaram a primeira edição dos Jogos Parasul-Americanos, em 2014.

Doze anos depois, ainda na ativa e com medalha olímpica recente no currículo, Cecília chega a Valledupar como uma espécie de fio condutor entre gerações — a atleta que viu o parapan-americano nascer e continua competindo no topo.

Wendell Belarmino, o ouro que veio de Tóquio

Do lado masculino, o nome de maior peso é Wendell Belarmino, campeão dos 50m livre S11 (classe de nadadores cegos) em Tóquio 2020. Um título olímpico não se apaga com o tempo — e chegar para uma competição regional com esse currículo coloca peso extra nas expectativas, tanto para ele quanto para quem o vê como referência.

A classe S11 exige dos nadadores adaptação total à ausência de visão: provas com toque de aviso na parede, apoio técnico específico e uma exigência de coordenação que poucos de fora da modalidade imaginam. Belarmino domina isso desde antes de virar ouro olímpico.

Natação brasileira nos Jogos Parasul-Americanos Valledupar 2026:
Local e data do evento: Valledupar, Colômbia, de 5 a 15 de julho
Estreia da natação: 11 de julho, junto com badminton e bocha
Tamanho da delegação: 26 atletas de natação
Cecília Araújo: prata nos 50m livre S8 em Paris 2024; veterana desde a 1ª edição, em 2014
Wendell Belarmino: ouro nos 50m livre S11 (cegos) em Tóquio 2020

Por que Valledupar importa além da medalha

Jogos regionais como esse não têm o brilho midiático de uma Paralimpíada, mas cumprem um papel que a torcida raramente enxerga: são o degrau onde atleta jovem testa nível internacional, atleta veterano mantém ritmo de competição e a modalidade constrói base para o ciclo paralímpico seguinte, que olha direto para Los Angeles 2028.

Para quem pratica natação paralímpica no Brasil — e são milhares de nadadores em clubes e associações espalhados pelo país — ver nomes como Cecília e Wendell competindo em Valledupar é prova de que o caminho da base ao ouro olímpico é real, documentado e possível de repetir.

O que fica para quem acompanha o esporte paralímpico

Se você só presta atenção na natação uma vez a cada quatro anos, talvez seja hora de rever a lista de prioridades. O que acontece entre Paralimpíadas — nos Jogos Parasul-Americanos, nos campeonatos nacionais, nos meses de treino invisível — é exatamente o que sustenta as medalhas que a gente comemora depois na televisão.

Ouro e prata não nascem na piscina do evento grande. Nascem antes, em competições como essa, que raramente ganham manchete — mas que decidem quem chega pronto para o próximo ciclo.

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