Faltam dois anos para Los Angeles: onde está a natação brasileira
Guilherme Caribé, Cachorrão, Mafê e Balduccini carregam a esperança na piscina. Nas águas abertas, Ana Marcela Cunha e Viviane Jungblut seguram a bandeira. Mas os novos índices para LA 2028 são, nas palavras da própria natação, "intimidadores".
Dois anos parece muito tempo — até você lembrar que ciclo olímpico se mede em décimos de segundo, não em calendário. É esse o alerta que corre nos bastidores da natação brasileira: faltam dois anos para Los Angeles 2028, e o recado geral é claro. Olimpíada não é lugar para "ir e ganhar experiência". É destino de quem já está entre os melhores do planeta, ponto final.
E o Brasil tem nomes reais na conversa. Só que o caminho até lá ficou mais estreito: as vagas diminuíram, os índices apertaram, e o relógio não para para ninguém — nem para quem já subiu ao pódio em Paris.
Na piscina masculina: Caribé na ponta, Cachorrão por 26 centésimos
Guilherme Caribé, 23 anos, é o primeiro nome que qualquer analista cita quando o assunto é medalha brasileira em 2028. Terceiro colocado do ranking mundial em 2025 nos 100m livre, ele treina nos Estados Unidos, na Universidade do Tennessee, sob o comando de Matt Kredich — rotina de quem mede a temporada inteira em função de uma prova só.
Guilherme Costa, o Cachorrão, é a segunda força da casa. Em Paris 2024, ficou a 26 centésimos do pódio — a diferença entre subir ou não é menor do que o tempo que você leva para piscar. O detalhe que preocupa: os tempos recentes dele estão acima de 3min45, patamar que precisa cair para manter a briga por medalha viva.
No feminino: Mafê se adapta, Balduccini busca regularidade
Maria Fernanda Costa (Mafê) e Stephanie Balduccini formam, juntas, "a maior esperança" do Brasil na piscina feminina. Mafê treina na Austrália e vem se adaptando bem à rotina por lá. Balduccini, que estabeleceu o recorde sul-americano dos 100m livre com 54 segundos na temporada passada, teve um ano irregular em 2026 — de quem já mostrou o teto, mas ainda não consegue repetir com frequência.
É a diferença entre nadar rápido uma vez e nadar rápido sempre. A segunda é infinitamente mais difícil — e é exatamente isso que separa quem sobe ao pódio olímpico de quem fica perto dele.
• Guilherme Caribé: 3º do ranking mundial 2025 nos 100m livre
• Guilherme Costa (Cachorrão): 5º em Paris 2024, a 26 centésimos do pódio
• Stephanie Balduccini: recorde sul-americano dos 100m livre (54s)
• Provas de 50m (costas, peito, borboleta) terão só 6 vagas por prova na Copa do Mundo 2027
• Revezamentos: 12 equipes qualificáveis em LA (eram 16 em Paris)
• Águas abertas: apenas 22 vagas disponíveis, 3 direto do Mundial de Budapeste 2027
Índices "intimidadores" e menos vagas do que em Paris
O termo usado por quem acompanha de perto o cenário é direto: índices "intimidadores". As provas de 50m livre, costas, peito e borboleta vão ter apenas 6 vagas por prova na Copa do Mundo de 2027 — uma redução chamada, sem meias palavras, de "absurda" e "patética" por quem vive o dia a dia da modalidade.
Os revezamentos, por outro lado, aparecem como a maior oportunidade real do Brasil: com 12 equipes qualificáveis (contra 16 em Paris), a classificação sai definida no Mundial de Budapeste, em 2027. Menos vagas também significa menos margem de erro — o Brasil precisa acertar a estratégia de prova em prova, sem folga para tentativa e erro.
Águas abertas: Ana Marcela mira o Canal da Mancha, Jungblut se recupera
Fora da piscina, a maratona aquática brasileira também está em movimento. Ana Marcela Cunha, uma das maiores nomes da história das águas abertas, se prepara para atravessar o Canal da Mancha — desafio à parte da rotina olímpica, mas que mantém o nome dela na conversa internacional. Viviane Jungblut, medalhista em Tóquio, segue em recuperação de cirurgia no ombro.
Entre os homens, os nomes que começam a aparecer no radar são Matheus Melecchi, Victor Moreno e Leonardo Macedo — geração ainda construindo currículo, mas correndo contra o mesmo relógio apertado: só 22 vagas no total para Los Angeles.
O que fica para quem nada na raia ao lado
Se você treina numa piscina de bairro achando que dois anos é tempo de sobra para evoluir, a natação de ponta discorda. Nesse nível, dois anos é o tempo exato de errar uma temporada de preparação e ficar fora do sonho inteiro. É pressão real, sobre gente de carne e osso, disputando centésimos que definem se o Brasil sobe ao pódio ou assiste de fora.
No fim, recorde nacional é ponto de partida. O que decide mesmo é quem consegue repetir o melhor tempo da vida no dia exato em que ele importa.
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