17 anos depois, o recorde mais antigo da natação feminina caiu em Montreal
A canadense Summer McIntosh, 19 anos, nadou os 200m borboleta em 2:01.65 e apagou uma marca de 2009 da chinesa Liu Zige — a mais antiga que ainda resistia na natação feminina.
Você que já tentou nadar dois comprimentos de borboleta sem parar sabe o tamanho da brutalidade dessa prova. Agora imagine fazer isso por 200 metros, mais rápido do que qualquer mulher na história — e ainda derrubar um recorde que ninguém tinha conseguido encostar em quase 17 anos. Foi o que Summer McIntosh fez neste domingo, em Montreal, no campeonato canadense.
A marca: 2 minutos, 1 segundo e 65 centésimos. Ela raspou 16 centésimos do recorde mundial de 2:01.81 que pertencia à chinesa Liu Zige desde outubro de 2009. Para você ter noção do tempo que esse número resistiu: quando Liu cravou aquela marca, McIntosh tinha três anos de idade.
O recorde que a natação achava intocável
Nem todo recorde é igual. Alguns caem de ano em ano; outros viram monumento. O de 2:01.81 era do segundo tipo — a marca feminina mais antiga que ainda estava de pé na natação, sobrevivente da era dos maiôs de poliuretano que a World Aquatics baniu logo depois de 2009. Bater um recorde daquela geração, sem a tecnologia que o produziu, é como quebrar um recorde de arremesso feito com bola de outro peso. Não deveria ser possível. McIntosh fez.
O detalhe que assusta: ela já tinha quatro dos cinco melhores tempos da história nessa prova antes de domingo — só não tinha ainda passado por cima do próprio teto imposto por Liu. Era uma questão de quando, não de se. E o quando foi agora.
• Novo recorde mundial dos 200m borboleta: 2:01.65
• Marca anterior: 2:01.81, de Liu Zige, desde outubro de 2009
• Idade da canadense: 19 anos
• Recordes mundiais que já detém: 400m livre, 200m e 400m medley
• Ouros em Paris 2024: 3 (incluindo os 200m borboleta)
• Títulos mundiais desde 2022: 8
Aos 19, já é uma das maiores da história
Some tudo: recordes mundiais nos 400m livre, nos 200m e nos 400m medley, e agora nos 200m borboleta. Três ouros olímpicos em Paris 2024. Oito títulos mundiais desde 2022 — o primeiro deles nos 200m borboleta aos 15 anos. McIntosh não é uma promessa; é uma atleta que já reescreveu a tabela de várias provas antes de completar 20 anos.
É o tipo de precocidade que o esporte vê uma vez por geração. E ela treina no lugar certo: no Texas, sob o comando de Bob Bowman — o mesmo técnico que lapidou Michael Phelps. Não é coincidência. Talento bruto precisa de mão firme para virar recorde, e ela caiu nas melhores mãos que a natação tem para oferecer.
O que muda para quem nada — mesmo na piscina do clube
Você pode achar que 16 centésimos não mudam a sua vida de nadador amador de fim de tarde. Mas mudam a régua. Recordes assim reposicionam o que o corpo humano parece ser capaz de fazer, e isso pinga para baixo: treinadores repensam método, jovens nadadores ganham um novo teto para mirar, e a borboleta — a prova que todo mundo tem medo — vira, de repente, território de possibilidade.
Recorde é número. O que fica é a corrida atrás dele. E McIntosh, aos 19, acabou de avisar ao mundo da natação que ainda tem muito mais a apagar da tabela.
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