719 atletas, 79 times, 17 estados — o Brasileiro Master começa hoje em SP
O 75º Campeonato Brasileiro Master de Natação estreia a piscina infinity do Paineiras do Morumby e leva a maior reunião de nadadores masters do país ao vivo para qualquer tela, de graça
Você que troca o travesseiro por óculos de natação antes das 6h da manhã vai entender o peso do que acontece hoje. O 75º Campeonato Brasileiro Master de Natação abre a torneira na piscina do Clube Paineiras do Morumby, em São Paulo — e pela primeira vez na história da competição, qualquer pessoa pode assistir ao vivo, pelo celular, sem pagar nada.
São quatro dias de prova (25 a 28 de junho), 40 eventos, e um campo de participantes que já justificaria o evento: 719 atletas inscritos, representando 79 equipes de 17 estados brasileiros. Se você achava que natação master era coisa de clube de bairro, revê o conceito.
A piscina que o evento merecia
A edição de 2026 estreia a nova instalação aquática do Paineiras do Morumby — uma piscina olímpica de 50 metros com tecnologia Fluidra Brasil e borda infinity, aquela que dá a impressão de que a água não termina. No papel soa como marketing. Na prática, quem nada sabe que borda de qualidade faz diferença na performance: menos turbulência, melhor recuperação das ondas durante o revezamento.
A estrutura estava na lista de desejos da Associação Brasileira de Masters de Natação (ABMN) há anos. São Paulo, que já sediou o evento outras vezes, volta ao mapa com um espaço à altura de um campeonato que chega à 75ª edição.
O programa dos quatro dias
• Dia 1 — 25/06 (hoje): 800m livre, 200m peito, 4x200m livre, 400m medley
• Dia 2 — 26/06: 200m medley, 100m livre, 50m peito, 200m borboleta, 50m costas, 4x100m medley, 400m livre
• Dia 3 — 27/06: 50m livre, 200m costas, 100m borboleta, revezamentos mistos, 400m livre
• Dia 4 — 28/06: 200m livre, 100m peito, 50m borboleta, 100m costas, 4x50m livre
• Transmissão: Swim Channel TV ao vivo no YouTube e app (gratuito)
• Local: Clube Paineiras do Morumby, Av. Dr. Alberto Penteado, 605 — Morumbi, SP
O programa foi montado com cuidado para equilibrar as provas de fundo e velocidade ao longo dos dias. Quem nada 800m livre hoje vai ter três dias para recuperar antes de um possível 200m livre na final. Quem é velocista puro vai viver nos sprints do terceiro e quarto dias.
75 edições e o que isso significa
Setenta e cinco edições não são pouca coisa. O Campeonato Brasileiro Master existe desde que "master" ainda era palavra estranha no vocabulário esportivo brasileiro — e cresceu junto com o movimento de natação para adultos no país. Há quem dispute a prova há 20, 30 anos. Há quem nada a primeira vez.
A divisão por faixa etária, que começa nos 25 anos e vai além dos 80, é o coração do formato master: você nada contra pessoas da sua geração, o recorde que você bate é o da sua categoria. É o esporte em sua versão mais honesta — sem desculpa de idade, com toda a emoção da competição.
Ao vivo para todo o Brasil
A parceria com o Swim Channel TV muda o jogo. Antes, o Brasileiro Master era evento de quem podia ir ao ginásio. Agora é transmitido ao vivo no YouTube e no aplicativo da Swim Channel, disponível para Android e iOS. A narração fica por conta do Coach Alex Pussieldi, um dos nomes mais conhecidos da natação de performance no país.
Para quem nada e tem família que nunca entendeu bem o que é chegar às 5h30 na piscina — manda o link. Às vezes, ver ao vivo explica melhor do que qualquer conversa de jantar.
O que faz do master mais do que um hobby
Existe um preconceito antigo de que a natação master é categoria B, espécie de consolação para quem não chegou ao profissional. Os números contradizem: atletas masters competem com periodização séria, frequentemente treinando 10 a 12 sessões por semana. Muitos têm técnico, fazem análise de vídeo, controlam lactato.
O que diferencia do alto rendimento juvenil não é a seriedade — é a equação tempo-vida. Você treina antes do trabalho, depois do trabalho, no intervalo do almoço. Você concilia piscina com filho, reunião e prazo. Isso não diminui o esporte. Ao contrário: exige uma disciplina que o atleta de período integral nunca precisou construir.
Setenta e cinco edições é a prova de que o Brasil entendeu isso. E a edição de hoje, às margens da borda infinity do Paineiras, vai acrescentar mais um capítulo.