Um brasileiro de 40 e poucos anos igualou um recorde mundial na natação
No Brasileiro Master, no Paineiras do Morumby, Leonardo Sumida nadou os 50m costas em 27s10 e alcançou a melhor marca do mundo na categoria 40+. Foram 55 recordes na competição — e nenhum deles feito por atleta profissional.
Você, que acha que passou da idade: senta que lá vem número.
No fim de junho, na piscina nova do Clube Paineiras do Morumby, em São Paulo, aconteceu a 75ª edição do Campeonato Brasileiro Master de Natação. Foram 55 recordes em poucos dias de competição. Um deles é mundial. E quem nadou não vive de nadar — trabalha, tem conta para pagar, e treina antes ou depois do expediente como você.
27s10, ou: o que um cara de 40+ ainda consegue fazer
Leonardo Sumida, do SMELJ/Curitiba, nadou os 50 metros costas da categoria 40+ em 27 segundos e 10 centésimos. Isso iguala o recorde mundial da distância, do britânico Matthew Guy Clay, estabelecido em 2024.
Igualar recorde mundial no centésimo é uma das coisas mais improváveis do esporte. Não é chegar perto — é cravar exatamente o mesmo número que a melhor marca do planeta. E ele ainda bateu o recorde sul-americano dos 100m costas, com 59s20, na mesma competição.
Para você ter uma noção do que significa 27s10: é nadar 50 metros de costas — de costas, sem ver para onde está indo — em menos tempo do que você leva para achar a chave do carro no bolso. Aos 40 e poucos anos.
• Leonardo Sumida (SMELJ/Curitiba): 27s10 nos 50m costas 40+ — igualou o recorde mundial de Matthew Guy Clay (2024)
• Sumida também fez o recorde sul-americano dos 100m costas: 59s20
• Roseli Fernandes Silva (VS), categoria 65+: três recordes sul-americanos — 200m livre (2:42.79), 400m livre (5:31.84) e 800m livre (11:11.26)
• Fabiola Molina: melhor índice técnico feminino — 32s07 nos 50m costas, categoria 50+
• Total: 1 recorde mundial, 24 sul-americanos e 30 brasileiros
• 55 recordes no total: 40 individuais e 15 de revezamento
• TNT Master venceu entre as equipes grandes, com 97 ouros
Roseli, 65+, e os 800 metros
Se o Sumida impressiona pelo centésimo, Roseli Fernandes Silva impressiona por outra coisa. Categoria 65+. Três recordes sul-americanos em três provas de fundo: 200, 400 e 800 metros livre.
Olhe o tempo dos 800m: 11 minutos e 11 segundos. Isso é dar 16 piscinas de 50 metros mantendo um ritmo de aproximadamente 1min24 por 100 metros, sem parar, aos 65 e poucos anos.
Tem gente de 25 anos que não completa 800 metros de nado contínuo em ritmo nenhum. Ela fez em 11 minutos — três vezes, em três distâncias diferentes, no mesmo campeonato.
O detalhe que muda a leitura de tudo
Aqui está o ponto que a gente queria chegar. Nenhuma dessas pessoas é atleta profissional.
Master, na natação, é a categoria de quem tem 25 anos ou mais e nada por conta própria. Não tem patrocínio, não tem bolsa, não tem centro de treinamento com nutricionista e fisiologista de plantão. Tem trabalho, tem filho, tem trânsito, tem reunião das 18h — e tem treino às 6 da manhã ou às 21h30.
Fabiola Molina é a exceção que confirma: ela foi olímpica, e agora, na categoria 50+, fez 32s07 nos 50m costas e levou o melhor índice técnico feminino. Mas o campeonato inteiro é cheio de gente que nunca foi olímpica coisa nenhuma e mesmo assim produziu 55 recordes.
O mito que esses tempos derrubam
Existe uma narrativa preguiçosa que diz que depois dos 35 a performance é ladeira abaixo e a única coisa que resta é "se manter ativo". Como se treinar depois de certa idade fosse hobby terapêutico, e não esporte.
É mentira, e a prova está na tabela ali em cima. O que cai com a idade é a velocidade de pico e a recuperação — não a capacidade de treinar sério, nem de melhorar. Um cara de 40+ igualou a melhor marca do mundo. Uma senhora de 65+ nadou 800 metros em 11 minutos. Essas pessoas não estão "se mantendo ativas". Elas estão competindo.
E aqui vai a parte incômoda: a diferença entre você e essas pessoas, na maioria dos casos, não é genética nem idade. É que elas apareceram na piscina na terça de manhã, no ano passado inteiro, e você não.
O que fazer com essa informação
Não é para você achar que vai igualar recorde mundial — o Sumida provavelmente nada desde criança e tem uma base técnica de décadas. Mas é para você parar de usar a idade como desculpa, porque ela não está mais disponível.
Se você tem 35, 45 ou 60 e anda dizendo que "já era", o Brasileiro Master é o argumento contrário. Cinquenta e cinco recordes por gente que trabalha o dia inteiro.
Idade cansa. Sedentarismo aposenta. São coisas diferentes.
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