Raphinha fora — Martinelli no palco, e o Brasil sem desculpas para a Copa
A lesão do camisa 11 do Barcelona tira um dos atacantes mais verticais da seleção no momento mais delicado do torneio. Martinelli sai do banco e entra na conversa — com a promessa de jogar nos dois lados do campo e potencializar Neymar e Vini Jr.
Lesão de craque é o tipo de notícia que chega no WhatsApp da galera da pelada antes mesmo de aparecer no portal esportivo. E quando o nome é Raphinha — o cara que chegou ao Barcelona como peça de reposição e virou peça central — a dor aperta de verdade. A Copa 2026 perdeu um de seus atacantes mais imprevisíveis. A seleção brasileira ganhou um problema. Ou uma oportunidade, dependendo de como Martinelli encará o momento.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, Gabriel Martinelli, do Arsenal, foi direto: lamentou a saída do companheiro e projetou o próprio papel com a serenidade de quem entende que espaço abre para quem está pronto para ocupar. "A gente vai dar o nosso melhor, trabalhando muito para potencializar os companheiros", disse. Neymar e Vinícius Júnior são os companheiros em questão. Não é pouca coisa.
Quem era Raphinha nessa seleção
Raphinha não é um jogador de show — é um jogador de decisão. Faz o drible que abre o espaço, carrega a bola nos momentos em que o time precisa respirar e finaliza com qualidade dos dois pés. No Barcelona, virou um dos três melhores da temporada. Na seleção, funcionava como a faca de dois gumes que o ataque precisava ao lado de Neymar e Vini Jr.
A ausência cria um vácuo real no sistema de Dorival: o Brasil perde velocidade, profundidade e a capacidade de virar o jogo pelo lado direito. Não é irreparável — mas exige resposta rápida.
Martinelli: o que ele oferece
Martinelli não é Raphinha. É outro tipo de jogador — mais explosivo em velocidade pura, mais físico, capaz de atuar tanto na esquerda quanto na direita sem perder a consistência. No Arsenal, foi peça-chave em temporadas de alta exigência, acostumado a pressionar a saída de bola adversária e aparecer na finalização.
A versatilidade é o cartão de visitas que ele usou na coletiva — e é o argumento mais forte a seu favor. Um atacante que se adapta ao lado libera Dorival para montar o time de acordo com o adversário, sem depender de uma posição fixa. Para enfrentar o mata-mata, isso vale ouro.
• Vinicius Júnior — ala esquerda, finalizador principal
• Neymar — meia-atacante, criação e bola parada
• Gabriel Martinelli — ala, cobre os dois lados
• Raphinha — fora por lesão
• Brasil no Grupo C: vitória por 3×0 sobre o Haiti na estreia — próximo jogo vs. Escócia
O peso de cobrir um camisa 11
Há uma pressão específica em entrar no lugar de alguém que estava em grande fase. Não é só cumprir tecnicamente — é convencer a torcida que o time não perdeu qualidade, que o projeto segue de pé. Martinelli sabe disso. A coletiva foi cuidadosa: sem promessa de ser o Raphinha, mas com clareza de que vai trabalhar pelo coletivo.
Esse tipo de resposta madura — especialmente de um atacante de 24 anos em seu primeiro grande torneio com a seleção — é o sinal de que ele está pronto para o momento. No futebol de Copa, o que mais derruba jogador de qualidade é a ansiedade de provar algo. Martinelli não parece ansiosa. Parece focado.
O que isso significa para o mata-mata
O Brasil já passou pelo teste mais simples — os 3 a 0 sobre o Haiti mostraram que o time funciona quando está em dia. Escócia e o possível adversário no mata-mata vão exigir mais. Com ou sem Raphinha, a seleção tem um dos ataques mais letais do torneio: Vini Jr. amedronta qualquer lateral do mundo, e Neymar, quando está em dia, ainda é capaz de criar do nada.
Martinelli entra para somar nesse sistema. Se somar bem, a lesão de Raphinha vai entrar para a história como aquele tipo de revés que, ao contrário do esperado, revelou uma peça que faltava. Se não, vai ser mais um ingrediente da narrativa de que o Brasil jogou bem mas não chegou lá.
Torcedor, respira
Você já viu Copa do Mundo com o time favorito perdendo peça-chave antes do mata-mata e ainda assim levantando a taça. França em 1998 sobreviveu ao caos. Brasil de 1994 chegou sem o futebol mais bonito. Copa não premia o time mais completo — premia o time mais consistente nos momentos que contam.
Raphinha vai fazer falta. Mas o Brasil ainda tem bala suficiente. E Martinelli acabou de pedir a palavra.
Leia também
22/06/2026
Messi faz 18 e reescreve a história — Copa do Mundo tem novo rei dos gols
21/06/2026
O sinal amarelo virou verde: Brasil atropela o Haiti, assume a liderança e agora decide tudo com a Escócia
19/06/2026
Três jogos, três adversários, uma Copa: o roteiro completo do Brasil no Grupo C — jogo a jogo
18/06/2026