Vini Jr e os gigantes: o 5º brasileiro a marcar em todos os jogos da fase de grupos
Jairzinho, Romário, Ronaldo, Rivaldo — e agora Vinícius Júnior. Todos que fizeram esse feito na Copa do Mundo ergueram a taça. Coincidência?
Existe uma lista que ninguém precisa explicar para o torcedor brasileiro. Quando você lê os nomes em sequência, a memória muscular do futebol entra em ação antes da razão: Jairzinho. Romário. Ronaldo. Rivaldo. Todos marcaram em todas as partidas da fase de grupos em suas respectivas Copas do Mundo. E todos levantaram a taça.
Depois da vitória sobre a Escócia, Vinícius Júnior entrou nessa lista. O quinto brasileiro. O primeiro da geração que cresceu assistindo à Seleção em todas as plataformas digitais imagináveis.
Os quatro gols que escreveram a história
Foram três jogos, quatro gols — e nenhum deles foi protocolar. Contra Marrocos, no empate em 1 a 1 que ninguém pediu, foi Vini quem salvou o ponto. Contra o Haiti, abriu o placar com aquela enfiada de perna esquerda que deixou o goleiro imóvel. Contra a Escócia, fechou a conta com dois gols — o segundo deles com a categoria de quem já não precisa provar mais nada, mas prova assim mesmo.
• Jogos: 3 • Gols: 4
• vs Marrocos: 1 gol (empate 1x1)
• vs Haiti: 1 gol (vitória 3x0)
• vs Escócia: 2 gols (vitória)
• Artilheiro: liderança isolada da Seleção na Copa
Os outros quatro e o peso da lista
Jairzinho (1970) foi o mais absoluto: marcou em todos os sete jogos do Brasil no México — não só na fase de grupos. Até hoje, nenhum jogador repetiu o feito. O Brasil daquele ano é consenso entre os maiores times de futebol da história.
Romário (1994) entrou no Estados Unidos como o melhor atacante do planeta e saiu campeão do mundo. Seus gols na fase de grupos foram cirúrgicos — sem correria, sem esforço aparente, como quem vai buscar o pão na padaria.
Ronaldo e Rivaldo (2002) protagonizaram a Copa que o Brasil mais precisava vencer. Ronaldo saiu da sombra de dois anos de lesões graves e silenciou quem duvidou. Rivaldo fez o gol de virada nos acréscimos contra a Turquia — um daqueles lances que definem carreiras.
Os quatro são campeões mundiais. Isso não é superstição — é contexto. Quem marca em todos os jogos da fase de grupos está, por definição, num nível acima da competição. E a Copa de 2026 pode ser a de Vini Jr.
Por que esse Vini Jr é diferente dos anteriores
Há dois anos, a conversa era se Vinícius conseguiria converter a genialidade no Real Madrid para o futebol coletivo da Seleção. O argumento era razoável: no clube, ele tinha Modric para fazer o passe que ninguém mais enxerga. Na Seleção, o contexto era diferente.
A Copa de 2026 está respondendo a essa questão de forma definitiva. Vini está jogando em coletivo — não é o geninho do lado esquerdo que recebe a bola e improvisa. Ele está sendo encontrado no espaço certo, na hora certa. Está finalizando com as duas pernas. Está dando assistência quando o gol não aparece para ele.
Isso é maturidade. E maturidade em Copa do Mundo, para um atacante de 25 anos, é exatamente o que a lista de Jairzinho, Romário, Ronaldo e Rivaldo pede.
O que vem pela frente
O Brasil enfrenta o segundo colocado do Grupo F nas oitavas — Holanda, Japão ou Suécia, a ser definido hoje. Qualquer um deles vai tentar travar Vini Jr da mesma forma que todos tentaram nos últimos três anos: marcação dupla, falta antecipada, pressão física.
Jairzinho passou por tudo isso em 1970 e marcou mesmo assim. Romário driblou a marcação americana e italiana sem perder o sorriso. Ronaldo superou a pressão psicológica que teria quebrado qualquer um.
A lista espera que Vini Jr faça o mesmo. E até agora, ele está cumprindo o protocolo.
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