A Maratona do Rio bateu recorde, ganhou selo de elite mundial — e provou que o Brasil virou país de corredor

A Maratona do Rio bateu recorde, ganhou selo de elite mundial — e provou que o Brasil virou país de corredor

Com 57 mil pessoas cruzando a linha de chegada, dois recordes de percurso pulverizados e o primeiro selo Elite da World Athletics dado a uma prova brasileira, a edição 2026 entrou para a história do running nacional.

EsporteCidade ·

Se você acordou no domingo 8 de junho e achou o Rio mais vazio na cama e mais cheio na rua, há explicação: dezenas de milhares de pessoas trocaram o despertador do fim de semana por um chip de cronometragem. A Maratona do Rio 2026 não foi só mais uma prova — foi a maior já realizada na América do Sul e, agora, oficialmente de nível mundial.

O número que resume tudo: 57.593 pessoas completaram alguma das distâncias do evento, 5% mais que no ano anterior. Só na maratona cheia, os 42 km, foram 14.205 finishers — alta de 8%. Largada a 15°C, mar de gente, e um recado claro: correr deixou de ser hobby de nicho no Brasil.

Os recordes que caíram

Na ponta de elite, a prova entregou cronômetro de respeito. No masculino, o etíope Tsegaye Getachew venceu em 2h10min22 — novo recorde do percurso, dois segundos abaixo da melhor marca em solo brasileiro (2h10min21, de Porto Alegre). No feminino não foi recorde: foi demolição. A também etíope Gadise Mulu Demissie cravou 2h25min47, quase cinco minutos mais rápida que o melhor tempo já feito por uma mulher no Brasil. Oito atletas terminaram abaixo do recorde brasileiro anterior. Oito.

E o Brasil apareceu: Melquisedeque Messias foi o melhor nacional, com 2h16min48, em 10º lugar geral. No feminino, Amanda Aparecida fechou em 2h38min58, 11ª colocada. Estar entre os dez melhores numa prova com pelotão de elite internacional é currículo.

Maratona do Rio 2026 — os números:

• Data: domingo, 8 de junho de 2026
• Finishers (todas as distâncias): 57.593 (+5%)
• Finishers só na maratona (42 km): 14.205 (+8%)
• Campeão masculino: Tsegaye Getachew (ETH), 2h10min22 — recorde do percurso
• Campeã feminina: Gadise Mulu Demissie (ETH), 2h25min47 — recorde em solo brasileiro
• Melhor brasileiro: Melquisedeque Messias, 2h16min48 (10º)
• Premiação: US$ 270 mil divididos entre os oito primeiros das provas principais

O selo que muda o patamar

O troféu mais importante da edição não tem pódio. A Maratona do Rio se tornou a primeira prova brasileira a receber o selo Elite da World Athletics, a entidade máxima do atletismo. Em bom português: o Rio reuniu o maior pelotão de elite já visto na América do Sul e entrou no mesmo grupo de chancela das grandes maratonas internacionais. Para o corredor amador, isso significa correr literalmente atrás de gente que disputa pódio mundial.

Por que isso interessa a quem corre na esquina

Crescimento de 5% a 8% ao ano, ano após ano, não é sorte — é tendência. A corrida de rua virou a porta de entrada de milhões de brasileiros no esporte porque o custo de começar é baixo: um tênis decente e disposição. O resto é progressão.

E é aí que mora a oportunidade. Se a Maratona do Rio te deu vontade, comece pelo começo: nosso guia de como começar a correr do zero e o de treino para os primeiros 5 km existem exatamente para isso. Recorde é número que fica no papel. O que fica de verdade é a corrida — e ela cabe na sua agenda de amanhã.

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